Marcio Pochmann nega 'crise' no IBGE: "vai muito bem"
Presidente do instituto afirma que produção cresceu 46,1% entre 2023 e 2025 e rebate críticas em meio a exonerações internas
247 - O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, negou nesta quinta-feira (29) a existência de uma crise na instituição e afirmou que o órgão atravessa um dos períodos mais produtivos de sua história recente. A declaração ocorre em meio a um contexto de exonerações e mudanças internas que vêm sendo relatadas por servidores do instituto.
Em publicação feita nas redes sociais, Pochmann reagiu às críticas e questionamentos sobre a gestão do IBGE. Segundo ele, “diferente de várias fontes, a maior instituição pública de pesquisa do Brasil vai muito bem”. Na postagem, o presidente destacou números que, segundo sua avaliação, demonstram um desempenho recorde da autarquia federal.
De acordo com Pochmann, no triênio de 2023 a 2025 o IBGE atingiu o maior volume de produção e divulgação de pesquisas e estudos já tornado público no país. O presidente do instituto comparou o período atual com o triênio de 2017 a 2019. Segundo os dados apresentados, houve um crescimento de 46,1% na produção institucional, com a entrega de 88 estudos e pesquisas a mais à sociedade brasileira.
O presidente também ressaltou a retomada de grandes operações estatísticas que estavam paralisadas, como a Pesquisa de Orçamento Familiar e a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, além da abertura de um novo ciclo de produção de conhecimento, incluindo mapas e levantamentos estruturais. Entre as iniciativas em preparação para este ano, Pochmann citou a Pesquisa Nacional de Saúde, a Pesquisa de Inovação e três censos de grande porte.
Entre eles estão o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola e dois levantamentos inéditos em quase 90 anos de história do IBGE: o Censo da População em Situação de Rua e o Censo dos Brasileiros no Exterior. Ao final da postagem, o presidente parabenizou os servidores do instituto e afirmou que seguem cumprindo a missão institucional de “retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento de sua realidade e ao exercício da cidadania”.
As declarações ocorrem após mais uma exoneração registrada no IBGE, na quarta-feira (28). Segundo o jornal O Globo, a servidora Ana Raquel Gomes da Silva, com mais de quatro décadas de atuação na instituição, foi retirada da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais (Gecoi). A mudança acontece após a saída de quatro funcionários da área de Contas Nacionais na semana anterior.
Ana Raquel deve ser substituída por um servidor recém-chegado ao instituto, cujo nome ainda não foi divulgado. Entre servidores, circula a suspeita de que a exoneração estaria relacionada a uma denúncia feita pela gerente no ano passado, envolvendo o suposto uso de publicações oficiais do IBGE com finalidade de propaganda política.
O episódio remete a uma carta elaborada por servidores da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), que criticaram comunicados da presidência do instituto. O documento apontava um tom político considerado inadequado, em especial no periódico “Brasil em números 2024”, que traz no prefácio um artigo assinado pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. No texto, a governadora lista ações de seu governo e elogia a iniciativa e a atual gestão do IBGE.
O funcionário relatou ainda que a exoneração de Ana Raquel teria sido comunicada durante uma reunião realizada na unidade da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde funciona a Gecoi, setor responsável pelas publicações institucionais. Na ocasião, a direção também teria informado a transferência do setor para uma unidade localizada em Parada de Lucas, também na capital fluminense.
Segundo o relato, José Daniel, coordenador do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) e assessor direto de Marcio Pochmann, foi quem comunicou a dispensa durante a reunião. As mudanças administrativas ampliam o debate interno no IBGE, enquanto a presidência sustenta publicamente que o instituto vive um momento de fortalecimento e expansão de sua produção estatística.


