Varejo avança 1% em novembro e registra segunda alta consecutiva
Vendas do comércio sobem 1% no mês, impulsionadas pela black friday e pelo bom desempenho de eletroeletrônicos e móveis
247 - O comércio varejista brasileiro registrou crescimento de 1% no volume de vendas em novembro de 2025 na comparação com outubro, consolidando o segundo mês seguido de avanço no setor. O resultado sucede a alta de 0,5% observada em outubro e reforça um movimento de recuperação mais consistente ao longo do trimestre.
Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e publicada pela Agência de Notícias do IBGE, que também aponta que a média móvel trimestral do varejo ficou em 0,5% no período encerrado em novembro de 2025.
De acordo com o gerente da PMC, Cristiano Santos, o desempenho recente marca uma mudança relevante no comportamento do setor. “Na margem, o comércio varejista brasileiro atingiu seu segundo mês consecutivo de altas, o que não acontecia desde o início de ano. Naquele momento, fevereiro e março subiram acima do que chamamos de estabilidade (entre -0,5% e 0,5%). Lá, no entanto, os valores tinham sido 0,5% e 0,7%. Agora, outubro e novembro cresceram 0,5% e 1,0%, respectivamente”, afirmou.
Na passagem de outubro para novembro, considerando a série com ajuste sazonal, sete das oito atividades pesquisadas apresentaram crescimento no volume de vendas. O maior avanço foi observado no segmento de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 4,1%. Também tiveram desempenho positivo móveis e eletrodomésticos (2,3%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,0%), livros, jornais, revistas e papelaria (1,5%), hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0%) e combustíveis e lubrificantes (0,6%). A única queda no período ocorreu em tecidos, vestuário e calçados, que recuaram 0,8%.
Segundo Cristiano Santos, o calendário promocional teve papel decisivo no resultado do mês. “Em novembro teve a black friday, que ajudou a dar um perfil mais distribuído ao crescimento setorial. Além disso, os setores que mais cresceram nessa passagem foram de equipamentos para escritório, informática e comunicação e móveis e eletrodomésticos, típicos das promoções de itens como celulares, computadores, móveis, entre outros”, explicou.
No varejo ampliado, que inclui veículos, motos e materiais de construção, o crescimento foi mais moderado, com avanço de 0,7% em relação a outubro. O segmento de material de construção apresentou alta de 0,8%, enquanto veículos e motos, partes e peças registraram queda de 0,2%. Para o gerente da pesquisa, “o varejo ampliado teve um crescimento mais modesto, de 0,7%, muito por conta do desempenho de veículos, motos, partes e peças, que vem no campo negativo e devolve uma alta forte em outubro”.
Na comparação com novembro de 2024, o comércio varejista cresceu 1,3%, com resultados positivos em cinco das oito atividades analisadas. O destaque ficou novamente com equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que avançaram 9,9%. Também tiveram altas expressivas artigos farmacêuticos (7,2%), livros e papelaria (5,9%), móveis e eletrodomésticos (5,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,7%). Em sentido oposto, tecidos, vestuário e calçados recuaram 4,0%, combustíveis e lubrificantes caíram 1,3% e hiper e supermercados tiveram leve retração de 0,1%.
No varejo ampliado, frente ao mesmo mês do ano anterior, veículos e motos, partes e peças apresentaram queda de 5,8%, e material de construção recuou 3,0%. Já o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou crescimento de 0,9% no período.
O avanço das vendas foi disseminado pelo território nacional. Em novembro de 2025, 21 das 27 Unidades da Federação apresentaram crescimento frente a novembro de 2024, com destaque para Rondônia (13,4%), Rio Grande do Norte (8,2%) e Amapá (8,2%). Entre os estados com resultados negativos, sobressaíram Tocantins (-3,0%), Piauí (-2,1%) e Roraima (-1,8%), enquanto Goiás registrou estabilidade, com variação de 0,0%.
No comércio varejista ampliado, 20 unidades da federação tiveram taxas positivas na mesma base de comparação, lideradas por Rondônia (9,2%), Amapá (6,8%) e Mato Grosso do Sul (6,8%). Já as maiores pressões negativas vieram de Piauí (-3,8%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e São Paulo (-2,7%).
A Pesquisa Mensal de Comércio acompanha, desde 1995, o comportamento conjuntural do varejo brasileiro, analisando a receita bruta de revenda em empresas formalmente constituídas com 20 ou mais pessoas ocupadas. Os resultados abrangem o comércio varejista e o varejo ampliado, com dados para o Brasil e as unidades da federação. A próxima divulgação da PMC, referente a dezembro de 2025, está prevista para 13 de fevereiro de 2026.


