Alckmin projeta entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia no segundo semestre
Vice-presidente afirma que tratado histórico deve ser ratificado ainda no primeiro semestre e aposta em impactos positivos para o Brasil
247 - O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia tem previsão de entrar em vigor no segundo semestre deste ano. O tratado, negociado ao longo de 26 anos, será assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, mas ainda depende de aprovação formal do Parlamento Europeu e do Congresso Nacional para começar a valer.
As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro. Segundo Alckmin, a expectativa do governo brasileiro é concluir a tramitação legislativa nos próximos meses. “A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos no segundo semestre a vigência do acordo”, afirmou o vice-presidente.
O acordo estabelece a criação de uma ampla zona de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, envolvendo mais de 30 países. A iniciativa deve ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, que reúne cerca de 450 milhões de consumidores, reduzindo barreiras e facilitando fluxos comerciais entre os blocos.
Entre os principais pontos do tratado está a eliminação gradual de tarifas de importação sobre produtos agrícolas e industriais. A medida tende a reduzir custos para exportadores brasileiros e aumentar a competitividade das empresas nacionais no mercado internacional, além de estimular novos investimentos.
Alckmin destacou que o impacto positivo deve alcançar diferentes setores da economia, como agronegócio, indústria e serviços, com reflexos diretos na geração de empregos. Para ele, o acordo também tem um peso simbólico relevante no cenário global. “Em um momento de instabilidade política, de geopolítica com guerra em vários lugares, de protecionismo exacerbado, você dá um exemplo que é possível, através do diálogo e da negociação, fortalecer o multilateralismo e ter livre comércio. É um exemplo para o mundo, extrapola até o Mercosul e a União Europeia, é uma mensagem muito positiva para o comércio internacional”, ressaltou.
A assinatura do tratado marca uma etapa decisiva de um processo iniciado nos anos 1990 e é vista pelo governo brasileiro como um passo estratégico para a inserção do país nas cadeias globais de comércio, em um contexto internacional marcado por tensões e disputas econômicas.


