Maria do Rosário diz que Campos Neto desrespeita a população ao negar responsabilidade do BC
Deputada cita alertas ignorados pelo Banco Central e cobra explicações; PF investiga atuação de Campos Neto no caso Banco Master
247 - A deputada federal Maria do Rosário classificou como alarmantes as revelações envolvendo o caso Banco Master e cobrou explicações públicas sobre a atuação da cúpula do Banco Central. Em publicação na rede social X, a parlamentar afirmou: "Muito grave o que vem sendo revelado sobre o caso Banco Master."
Na mesma manifestação, Maria do Rosário destacou informações oficiais enviadas pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU), apontando que sinais de irregularidades já haviam sido identificados durante a gestão de Roberto Campos Neto. "Informações oficiais do Banco Central enviadas ao TCU indicam que alertas foram feitos ainda na gestão de Roberto Campos Neto, na época presidente do BC indicado por Bolsonaro. Mesmo assim, houve atuação para evitar uma intervenção no banco, enquanto a fraude avançava."
A deputada também criticou a posição pública adotada por Campos Neto diante do caso. "Agora, Roberto Campos Neto dizer que a cúpula do BC não tinha responsabilidade sobre o assunto é desrespeitar a inteligência da população brasileira." Em seguida, cobrou esclarecimentos mais detalhados sobre a condução do episódio: "Quem ocupou cargo tão importante precisa, no mínimo, explicar por que os alertas não foram suficientes para proteger o sistema financeiro e os cidadãos."
As declarações ocorrem em meio ao avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que apura o papel de Campos Neto nos processos que autorizaram a venda e a reestruturação de ativos ligados ao Banco Master. Segundo informações do jornalista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, o inquérito busca determinar qual foi o nível de conhecimento da autoridade monetária sobre as irregularidades no momento em que as operações receberam aval oficial.
Os investigadores trabalham com duas hipóteses principais. A primeira é que o então presidente do Banco Central pode ter sido induzido ao erro por integrantes da própria instituição. A segunda é que ele tinha ciência das inconsistências e, ainda assim, autorizou as transações. Há suspeitas de que diretores tenham utilizado expedientes como falsificação de assinaturas e adulteração de documentos para ocultar a real situação financeira do banco, controlado por Daniel Vorcaro.
As apurações também indicam a existência de um esquema sofisticado, desenhado para resistir a auditorias tradicionais e contornar os mecanismos de controle do sistema financeiro nacional. A complexidade das operações levanta a possibilidade de atuação coordenada entre agentes públicos e privados, o que teria permitido encobrir inconsistências contábeis relevantes sob aparência de legalidade durante o processo de aprovação.
Roberto Campos Neto presidiu o Banco Central entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2024, após indicação do então presidente Jair Bolsonaro. O período coincide com as operações do Banco Master que agora estão sob escrutínio das autoridades.
No estágio atual, a Polícia Federal concentra esforços no cruzamento de comunicações internas e na análise pericial de documentos digitais, com o objetivo de reconstruir a cadeia de decisões dentro da cúpula do Banco Central. A investigação busca esclarecer como possíveis falhas ocorreram em uma estrutura considerada robusta em termos de compliance.


