Gleisi detona "desculpas esfarrapadas" de Campos Neto sobre o Master
“Roberto Campos Neto foi alertado sobre a crise do Master, mas atuou para evitar intervenção no banco de Daniel Vorcaro”, afirma a ministra
247 - A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), criticou nesta terça-feira (24) a postura do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no caso envolvendo o Banco Master. Em publicação nas redes sociais, ela classificou como “desculpas esfarrapadas” as explicações dadas pelo ex-dirigente sobre sua atuação diante das irregularidades investigadas.
As declarações foram feitas em postagem pública, na qual a ministra cita informações oficiais do próprio Banco Central enviadas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo Gleisi, os dados indicam que Campos Neto foi alertado previamente sobre a situação da instituição financeira, mas não teria adotado as medidas necessárias.
Na publicação, Gleisi afirma que houve tentativas de evitar uma intervenção no banco controlado por Daniel Vorcaro. “Informações oficiais do BC para o TCU mostram que Roberto Campos Neto foi alertado sobre a crise do Master, mas atuou pelo menos duas vezes para evitar intervenção no banco de Daniel Vorcaro”, escreveu.
A ministra também destacou que os alertas teriam partido de diferentes agentes do sistema financeiro. “O FGC e até presidentes de bancos alertaram para o caso. O próprio Vorcaro foi recebido 24 vezes no BC quando Campos Neto era presidente”, afirmou.
Outro ponto levantado por Gleisi envolve investigações sobre ex-integrantes da cúpula do Banco Central. “E dois ex-diretores indicados por ele são investigados por suspeita de terem ajudado Vorcaro na fraude”, acrescentou.
Ela ainda reagiu à declaração de Campos Neto ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual o ex-presidente do Banco Central teria afirmado que a cúpula da instituição não tinha responsabilidade sobre o caso. “E agora me vem o senhor Campos Neto dizer ao Estadão que a cúpula do BC não tinha responsabilidade sobre o assunto. Respeite ao menos a inteligência alheia”, escreveu.
Na avaliação da ministra, o foco deveria estar em esclarecer os fatos ocorridos durante a gestão do ex-dirigente. “Ao invés de apresentar desculpas esfarrapadas, deveria explicar porque a fraude foi tão longe em sua gestão no BC”, concluiu.
Paralelamente às críticas, a Polícia Federal conduz investigação para apurar o papel de Roberto Campos Neto nos processos que autorizaram operações envolvendo o Banco Master. O inquérito busca esclarecer se houve falhas ou omissões no acompanhamento das atividades da instituição financeira.
As apurações incluem a análise de documentos e comunicações internas, além de suspeitas de práticas como falsificação de assinaturas e manipulação de registros para ocultar a real situação do banco. O caso envolve um esquema considerado sofisticado, que teria dificultado a atuação dos mecanismos de controle.
Os investigadores também trabalham para reconstruir a cadeia de decisões dentro do Banco Central durante o período em que Campos Neto esteve à frente da instituição, entre 2019 e 2024, quando foi indicado ao cargo por Jair Bolsonaro (PL).


