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PF investiga possível omissão de Campos Neto no caso Master

Investigação busca esclarecer se ex-presidente do Banco Central tinha conhecimento de fraudes em operação financeira

Roberto Campos Neto (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

247 - A Polícia Federal investiga o papel do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nos processos que autorizaram a venda e a reestruturação de ativos ligados ao Banco Master. O inquérito pretende determinar qual foi o nível de conhecimento da autoridade monetária sobre as irregularidades envolvendo a instituição no momento em que as operações receberam aprovação oficial, segundo Paulo Cappelli, do Metrópoles.

Os investigadores trabalham com duas hipóteses centrais: Campos Neto pode ter sido induzido ao erro por integrantes da própria estrutura do Banco Central ou, alternativamente, teria ciência das inconsistências e mesmo assim autorizado as transações. A suspeita é de que diretores teriam recorrido a práticas como falsificação de assinaturas e adulteração de documentos para ocultar a real situação financeira do banco, que pertencia a Daniel Vorcaro.

As investigações apontam ainda para um esquema considerado altamente sofisticado, projetado para resistir a auditorias tradicionais e contornar os mecanismos de controle do sistema financeiro nacional. A complexidade das operações sugere a atuação coordenada de agentes dos setores público e privado, o que teria permitido mascarar inconsistências contábeis relevantes sob uma aparência de legalidade durante o processo de aprovação da venda.

Roberto Campos Neto esteve à frente do Banco Central entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2024, após indicação de Jair Bolsonaro (PL). O período coincide com as operações do Banco Master que agora estão sob escrutínio das autoridades.

No estágio atual, a Polícia Federal concentra esforços no cruzamento de dados de comunicações internas e na análise pericial de documentos digitais. O objetivo é reconstruir a cadeia de decisões dentro da cúpula do Banco Central e entender como possíveis falhas ocorreram em uma estrutura considerada robusta em termos de compliance.

O desfecho do caso é considerado estratégico para a credibilidade das instituições reguladoras, já que levanta questionamentos sobre a integridade dos processos de aprovação de operações financeiras relevantes que dependem do aval do Estado.

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