Mastercard sofre prejuízo bilionário após colapso do Banco Master
Empresa arcou com parte das transações não liquidadas da fintech Will e busca reembolso junto ao liquidante
247 - A liquidação do Banco Master provocou um impacto financeiro bilionário para a Mastercard no Brasil, após a empresa assumir custos relacionados a transações realizadas por clientes da fintech Will Financeira, ligada ao banco. O prejuízo decorre da necessidade de garantir pagamentos a varejistas que processaram compras com cartões emitidos pela instituição antes de sua quebra.
As informações foram divulgadas pela Bloomberg, com base em fontes com conhecimento direto do caso. Segundo a reportagem, a Mastercard foi envolvida por atuar como bandeira dos cartões da Will Financeira e, diante da inadimplência gerada pelo colapso, precisou cobrir parte dos valores pendentes.
De acordo com as fontes, os clientes do Will Bank acumulavam até R$ 5 bilhões em compras não liquidadas quando o Banco Master entrou em colapso. A Mastercard teria assumido cerca de metade desse montante, correspondente às transações realizadas nos primeiros 30 dias após a liquidação da instituição.
Em comunicado, a empresa informou que já realizou os pagamentos exigidos pela regulamentação vigente, utilizando majoritariamente recursos próprios. Agora, aguarda o reembolso por parte do liquidante nomeado pelo Banco Central, responsável por administrar os ativos remanescentes do banco.
O episódio representa apenas uma fração dos efeitos da crise envolvendo o Banco Master, que colapsou em novembro sob acusações de fraude. O ex-presidente e acionista da instituição, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso duas vezes e firmou acordo de colaboração com autoridades brasileiras.
Para mitigar parte das perdas, a Mastercard pode recorrer a garantias oferecidas anteriormente pela fintech, incluindo participações acionárias em empresas como o Banco de Brasília (BRB) e a varejista Westwing. Parte das ações do BRB já teria sido vendida, segundo uma das fontes, após a empresa receber 6,9% do capital do banco.
O Will Bank, adquirido pelo Banco Master em 2024, operava com foco em crédito para população de menor renda. Nos meses anteriores à quebra, a Mastercard passou a restringir a atuação da fintech em sua rede e, posteriormente, bloqueou o acesso da empresa aos seus sistemas por falta de garantias. A liquidação ocorreu no dia seguinte ao bloqueio.
Após o colapso, empresas credenciadoras no Brasil passaram a pressionar a Mastercard para que assumisse responsabilidade por um período maior do que os 30 dias iniciais de transações não liquidadas. A disputa ocorre em meio à implementação de uma nova regra do Banco Central, que define com mais clareza a responsabilidade pelas garantias em casos de inadimplência de emissores.
Executivos da Mastercard, segundo as fontes, argumentam que a empresa ainda não deveria estar sujeita à nova regulamentação, já que o prazo para adaptação das instituições vai até maio.


