Lindbergh cobra investigação do papel de Campos Neto no escândalo "BolsoMaster"
Deputado do PT pressiona por apuração da PF e questiona atuação do ex-presidente do Banco Central em caso envolvendo o Banco Master
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) cobrou nesta terça-feira (24) a ampliação das investigações sobre o papel do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no escândalo envolvendo o Banco Master, que ele classificou como “BolsoMaster”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que Campos Neto não apresentou explicações convincentes ao comentar o caso pela primeira vez após um período de silêncio.
A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, no qual Lindbergh relaciona a atuação do ex-presidente do Banco Central a uma série de alertas institucionais e investigações em curso. Segundo ele, a Controladoria-Geral da União (CGU) abriu procedimento administrativo contra dois funcionários citados no caso, o que teria forçado Campos Neto a se manifestar.
No vídeo, o deputado criticou a justificativa apresentada pelo ex-dirigente da autoridade monetária. “O Roberto Campos Neto saiu da toca, falou pela primeira vez, depois de muito tempo de silêncio, sobre o escândalo do Banco Master e, sinceramente, não explicou nada. O cerco está se fechando. Ele teve que responder porque a CGU abriu um procedimento administrativo contra aqueles dois funcionários, Paulo Sérgio e Belline Santana, que foram pegos, eram cúmplices do Vorcaro, estão com tornozeleira eletrônica”, afirmou.
Lindbergh também contestou a alegação de Campos Neto de que não poderia ser responsabilizado por problemas envolvendo instituições menores. “Disse ‘olha, não posso ser responsabilizado por problemas de terceiros. O banco era um banco S3, a diretoria cuida do S1, dos grandes bancos’. Que história é essa? A diretoria do Banco Central tem que defender a solvência do sistema financeiro nacional”, declarou.
O parlamentar destacou ainda que o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tomou medidas mais duras em relação à instituição, questionando por que isso não ocorreu anteriormente. “Tanto é assim que o sucessor dele, Gabriel Galípolo, fez a liquidação extrajudicial do Banco Master. Por que [Campos Neto] não fez? Ele não fez, é isso que ele tem que explicar”, disse.
Entre os pontos levantados, Lindbergh afirmou que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria enviado diversos alertas formais ao Banco Central. “Só o Fundo Garantidor de Crédito mandou 28 comunicados por escrito para Roberto Campos Neto, falando das vulnerabilidades do Banco Master. A Febraban mandou outros inúmeros comunicados”, afirmou.
O deputado informou que protocolou representações junto à Polícia Federal e à Comissão de Ética da Presidência da República, pedindo aprofundamento das investigações. “Eu quero que a Polícia Federal vá atrás desta documentação da Febraban, do FGC. Roberto Campos Neto, quantos banqueiros, quantas reuniões com a Febraban aconteceram alertando da situação do Banco Master?”, questionou.
Ele também mencionou suspeitas de que a própria Polícia Federal teria alertado previamente o Banco Central sobre irregularidades. “Eu entrei ontem com uma petição, um processo que eu pedi para abrirem na Polícia Federal e na Comissão de Ética para questionar um elemento; a Polícia Federal teria alertado ao Banco Central, ao presidente Roberto Campos Neto da situação do Banco Master e ele nada fez”, declarou.
Lindbergh ainda relacionou a origem do banco a decisões tomadas durante a gestão de Campos Neto. “Quero lembrar que o Banco Master surge em 2021, mas em 2019 o Roberto Campos Neto autorizou o Vorcaro a comprar o Banco Máxima. A gente quer a verdade. Toda a verdade vai aparecer no caso desse escândalo, e vocês vão ver as ligações políticas que estão por trás de todo esse escândalo junto ao Roberto Campos Neto. Esse escândalo é o escândalo do BolsoMaster”, afirmou.
Paralelamente às declarações, a Polícia Federal conduz investigação para apurar o papel de Campos Neto nos processos que autorizaram a venda e a reestruturação de ativos ligados ao Banco Master. O inquérito busca determinar se o ex-presidente do Banco Central foi induzido ao erro por integrantes da instituição ou se tinha conhecimento das irregularidades no momento da aprovação das operações.
As investigações indicam a possível existência de práticas como falsificação de assinaturas e adulteração de documentos, com o objetivo de ocultar a real situação financeira do banco, controlado por Daniel Vorcaro. O esquema, segundo apurações, teria sido estruturado de forma sofisticada, dificultando a detecção por auditorias tradicionais e contornando mecanismos de controle do sistema financeiro.
A Polícia Federal também analisa comunicações internas e documentos digitais para reconstruir a cadeia de decisões dentro do Banco Central. O objetivo é esclarecer como eventuais falhas ocorreram em uma estrutura considerada robusta em termos de compliance durante a gestão de Campos Neto, que esteve à frente da instituição entre 2019 e 2024, após indicação de Jair Bolsonaro (PL).


