HOME > Brasil

Mário Frias afirma que está nos EUA, promete voltar ao Brasil e nega irregularidades

Deputado do PL diz que está nos EUA por agenda de investimentos, rebate suspeitas sobre filme ligado a Bolsonaro e promete prestação de contas

Flávio Bolsonaro e Mario Frias (Foto: Carlos Moura/Agência Senado / Marcello Casal JrAgência Brasil)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O deputado federal Mário Frias (PL-SP) afirmou que retornará ao Brasil após cumprir compromissos nos Estados Unidos e negou qualquer tentativa de permanecer fora do país em meio às investigações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL) até a Presidência da República.

As declarações foram dadas em entrevista ao programa News Noite, do SBT News, exibida nesta terça-feira (19). Durante a conversa, Frias disse que está nos EUA em busca de investimentos na área de segurança pública e garantiu estar à disposição da Justiça. “Mas eu volto ao Brasil. Não devo nada. Estou pronto para prestar conta. Estou à disposição da Justiça”, declarou.

Antes da viagem aos Estados Unidos, o parlamentar afirmou que esteve no Bahrein para discutir oportunidades de investimentos voltados ao Brasil. Segundo ele, a agenda internacional faz parte de iniciativas ligadas ao mandato parlamentar e não possui relação com as investigações em andamento sobre a produção cinematográfica.

Frias nega arrependimento por relação com empresário

Durante a entrevista ao SBT News, o deputado também comentou sua aproximação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontado em reportagens do Intercept Brasil como um dos nomes ligados ao financiamento do longa-metragem. Frias afirmou que não se arrepende das tratativas realizadas para viabilizar o projeto.

“É óbvio que eu não me arrependo. A gente não podia saber... [...] a gente tem que partir do princípio que não há culpa. [...] É claro que eu não me arrependo de absolutamente nada. Fizemos um projeto sério”, afirmou o deputado.

Segundo reportagens publicadas pelo Intercept Brasil, Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados à produção. Documentos do projeto também indicam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro chegou a ocupar uma função executiva na fase inicial do longa, com poderes relacionados ao orçamento da obra.

Contatos com banqueiro ocorreram por causa do filme

Ao comentar sua relação com Daniel Vorcaro, Mário Frias admitiu que manteve conversas com o banqueiro, mas afirmou que os contatos ocorreram exclusivamente em razão da produção de “Dark Horse”. Segundo o parlamentar, ele deve apresentar uma prestação de contas pública sobre os recursos do filme até o início da próxima semana.

“A gente não pode falar absolutamente nada”, disse Frias ao justificar o silêncio mantido até agora sobre detalhes financeiros do projeto. O deputado alegou que contratos de confidencialidade, conhecidos como NDA (Non-Disclosure Agreement), impediam manifestações mais detalhadas sobre os investidores envolvidos.

Frias também voltou a afirmar que o longa foi financiado apenas com recursos privados. De acordo com ele, os investimentos foram realizados por meio da empresa Entre Investimentos e não possuem participação formal de Daniel Vorcaro ou do Banco Master. “Não tem assinatura de Daniel, não tem assinatura de Banco Master”, declarou.

PF investiga movimentações ligadas ao Banco Master

Apesar das declarações do deputado, a Polícia Federal cita a empresa Entre Investimentos em apurações relacionadas a um suposto esquema financeiro envolvendo o Banco Master. As investigações apontam suspeitas de utilização de empresas e fundos de investimento para dificultar o rastreamento de recursos.

Entre os casos analisados pela PF estão operações financeiras ligadas a fundos públicos de previdência, como o RioPrevidência e a Amapá Previdência (Amprev). O material investigado busca identificar possíveis irregularidades na movimentação de recursos financeiros associados às operações.

As suspeitas envolvendo o financiamento do filme também chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na última sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino determinou a abertura de um processo para apurar possíveis irregularidades no envio de emendas parlamentares destinadas por Mário Frias e pelos deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-RS).

Emendas parlamentares também entram na investigação

A ação foi apresentada pelos deputados Henrique Vieira (Psol-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP). Segundo o processo, ao menos R$ 2 milhões enviados por Mário Frias à Academia Nacional de Cultura poderiam ter relação indireta com a produção de “Dark Horse”.

A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também integra a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo desenvolvimento do filme sobre Jair Bolsonaro. A suspeita levantada pelos autores da ação é de que recursos públicos possam ter sido utilizados de forma indireta na estrutura do projeto audiovisual.

Mário Frias negou qualquer ligação entre as emendas parlamentares e o filme investigado. Segundo o deputado, os repasses seguiram os trâmites legais e já teriam sido considerados regulares pela advocacia da Câmara dos Deputados. “Não tem nada a ver com filme”, afirmou.

Artigos Relacionados