MDB negocia indicação do vice em chapa presidencial do PSD
Conversas entre Baleia Rossi e Gilberto Kassab avançam enquanto partido discute divisão interna sobre Lula e candidatura presidencial de Temer
247 - O MDB iniciou um movimento de aproximação política com o PSD, em um processo que ganhou força nas últimas semanas diante da percepção, dentro do meio partidário, de que a legenda comandada por Gilberto Kassab pode se consolidar como uma alternativa mais competitiva de terceira via para a disputa presidencial. As informações são da Folha de São Paulo.
O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, intensificou conversas recentes tanto com Kassab quanto com o governador do Paraná, Ratinho Jr, hoje tratado como o nome mais forte do PSD para disputar o Palácio do Planalto.
As reuniões entre os dirigentes abriram espaço para diferentes cenários de composição política. Entre as hipóteses debatidas estaria desde um apoio formal do MDB ao projeto presidencial do PSD até a possibilidade de o partido emedebista indicar o candidato a vice em uma chapa encabeçada por Ratinho Jr.
O avanço desse diálogo ocorre em meio a uma divisão interna no MDB em relação ao governo Lula. Enquanto uma ala defende aproximação institucional com o Palácio do Planalto, outra resiste à ideia de integrar formalmente uma coligação liderada pelo presidente. Segundo a avaliação da direção partidária, há atualmente mais diretórios estaduais distantes do governo do que alinhados: seriam 17 contrários à aproximação, contra 10 favoráveis.
Apesar do interesse declarado de Lula em atrair o MDB para uma aliança oficial, a possibilidade é vista como remota dentro do partido. A fragmentação interna, somada às divergências regionais, dificulta uma decisão unificada e aumenta a tendência de o MDB buscar caminhos alternativos para 2026.
Outro fator que pesa nesse distanciamento é a perda de sintonia entre MDB e PT em estados estratégicos do Nordeste. Conforme a coluna, MDB e PSD vêm se afastando em estados como Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, onde a repetição das coligações firmadas em 2022 já é considerada improvável ou até descartada.
Ao mesmo tempo, a relação entre MDB e PSD permanece considerada positiva em outras regiões, com possibilidade de alianças estaduais em locais como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Goiás. Esse cenário fortalece o entendimento de que a aproximação nacional pode ser acompanhada por arranjos locais capazes de ampliar a força eleitoral das duas legendas.
Dentro do MDB, também cresce a discussão sobre evitar um alinhamento automático a qualquer candidatura presidencial. Uma das alternativas em estudo seria liberar os diretórios estaduais para apoiarem, de forma independente, os candidatos que considerarem mais viáveis em seus respectivos contextos políticos.
Além disso, segundo a publicação, há ainda um debate embrionário sobre a hipótese de o MDB lançar um nome próprio para a disputa presidencial. Nesse cenário, o nome cogitado seria o do ex-presidente Michel Temer, que voltaria a ser mencionado como alternativa caso a legenda decida não embarcar em projetos externos.


