Mendonça não vai "sacanear" Ciro Nogueira no caso Master, afirma Flávio Bolsonaro
Senador defendeu presunção de inocência de Ciro Nogueira após operação da PF e criticou atuação de Alexandre de Moraes
247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira (13) que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), não vai “sacanear” Ciro Nogueira (PP-PI) no processo relacionado ao caso Banco Master.
As informações são da CNN Brasil. Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, deve apresentar sua defesa ao STF após ter sido citado na quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (7).
Questionado sobre a possibilidade de Ciro participar da campanha presidencial mesmo depois dos desdobramentos da investigação, Flávio Bolsonaro defendeu a presunção de inocência e o direito de defesa do senador.
“O Ciro é presidente de um partido importante, sofreu acusações que são graves e ele inclusive já começou a explicar. O que eu falo é o seguinte: pelo menos ele tem um relator no Supremo, que é o ministro André Mendonça, que não vai sacaneá-lo, que vai dar a oportunidade da defesa trabalhar, vai dar a oportunidade do Ciro se explicar, provar que é inocente”, afirmou.
Flávio também comparou a condução esperada por Mendonça no caso de Ciro com a atuação do ministro Alexandre de Moraes na ação penal sobre a trama golpista de 8 de Janeiro, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O que não aconteceu com o presidente Bolsonaro, por exemplo, que provou que era inocente e, mesmo assim, foi condenado pelo seu perseguidor, que é o ministro Alexandre de Moraes, um relator muito ruim, uma pessoa que acaba trazendo um descrédito para a própria instituição Supremo Tribunal Federal por conta de uma atuação completamente parcial”, disse.
A declaração foi feita após Flávio se reunir com o presidente do STF, ministro Edson Fachin. Segundo o senador, a visita teve caráter institucional e serviu para uma apresentação formal ao magistrado.
“É algo mais institucional, ainda não tinha me apresentado para ele. Como pré-candidato à Presidência, fiz questão de vir me apresentar para ele, conversar sobre o que penso para o país”, afirmou Flávio ao deixar o gabinete de Fachin.
O parlamentar disse ainda ter tido uma conversa “amistosa” com Fachin e afirmou ter ficado com uma “excelente impressão” do presidente da Corte. Segundo Flávio, o ministro “é equilibrado”, quer “olhar pra frente” e “respeita as instituições”.
Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero. De acordo com investigadores citados pela CNN Brasil, o senador teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil para atender a interesses do banqueiro Daniel Vorcaro no Legislativo.
A apuração também aponta supostas vantagens indevidas ao parlamentar e a familiares, como hospedagens e despesas em restaurantes de luxo pagas com um cartão do dono do Banco Master. Os investigadores mencionam ainda trocas de mensagens entre Filipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, e um empresário, nas quais teriam sido discutidos os valores pagos.
A defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades. Em nota, afirmou que o senador “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados” e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.
Os advogados também criticaram o uso de medidas invasivas com base em mensagens de terceiros. “Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, declarou a defesa.



