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Boulos reage a revelações sobre negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro: "A terra plana não gira, capota"

Ministro da Secretaria-Geral repercutiu revelações sobre negociação entre senador do PL e banqueiro para financiar filme sobre Jair Bolsonaro

Guilherme Boulos (Foto: Flickr da Secretaria Geral da Presidência da República)
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247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), repercutiu nesta quarta-feira (13) a reportagem do Intercept Brasil que revelou negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, Boulos relacionou a denúncia ao fato de o parlamentar ter afirmado anteriormente que o Banco Master estaria ligado ao Partido dos Trabalhadores.

"Uma semana após Flávio dizer que Banco Master está ligado ao PT, vaza áudio dele cobrando 134 milhões de Vorcaro. A terra plana não gira, capota", escreveu o ministro. Segundo reportagem, Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Vorcaro um financiamento de 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para a produção do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.

Entenda o caso

A reportagem afirma que mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários indicam que ao menos 10,6 milhões de dólares, aproximadamente R$ 61 milhões, foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025. Os recursos teriam sido enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

Mensagens apontam proximidade entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Em uma delas, enviada em novembro de 2025, o senador escreveu ao banqueiro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!". Vorcaro foi preso no dia seguinte, acusado de operar um esquema de fraude que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito.

A apuração também cita a participação de outras pessoas nas negociações, entre elas Mario Frias, o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro. Áudios obtidos pelo Intercept mostram ainda que Flávio Bolsonaro cobrou o pagamento de valores pendentes para evitar a interrupção da produção do filme.

"Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim", disse. Em outro trecho do áudio, Flávio afirmou: "Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo".

Documentos analisados indicam que parte dos recursos teria sido transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações ao fundo Havengate Development Fund LP. Um dos comprovantes citados registra uma ordem de pagamento internacional de 2 milhões de dólares realizada em fevereiro de 2025.

Questionado nesta quarta-feira (13) sobre o caso, Flávio Bolsonaro negou a informação. "De onde você tirou essa informação? É mentira", afirmou o senador antes de deixar o local onde concedia entrevista, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal.

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