Mesmo sob ofensiva bolsonarista, Lula mantém liderança nacional no Datafolha
Presidente segue à frente no primeiro turno, vence cenários de segundo turno e preserva vantagem em meio à disputa sobre soberania, Pix e segurança pública
247 – A nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém liderança nacional na corrida presidencial de 2026 mesmo diante da ofensiva política do bolsonarismo. Lula aparece com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL), e venceria todos os adversários testados no segundo turno.
O levantamento, publicado pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
Presidente resiste à ofensiva da oposição
A menos de dois meses do início da campanha, Lula e Flávio Bolsonaro vêm travando disputas em temas sensíveis, como soberania nacional, Pix e segurança pública. O senador bolsonarista tenta reanimar sua base conservadora com promessas de linha dura e alinhamento aos Estados Unidos.
Depois de um encontro com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, Flávio conseguiu que facções criminosas fossem consideradas terroristas pelos EUA e passou a explorar o tema da segurança pública. A movimentação busca reforçar sua imagem junto ao eleitorado conservador.
Lula, por sua vez, respondeu com a promessa de um programa contra roubo de celulares e cobrou a presença de ministros em inaugurações de obras pelo país. O governo também tenta ampliar o impacto de medidas econômicas e sociais, incluindo um pacote de mais de R$ 140 bilhões em créditos e subsídios.
Datafolha mostra estabilidade favorável a Lula
Apesar da ofensiva da oposição, o Datafolha mostra estabilidade no quadro eleitoral. Lula tinha 40% na rodada anterior e agora aparece com 41%. Flávio Bolsonaro permaneceu com 31%.
No segundo turno entre os dois, o placar também ficou estável: Lula 47%, Flávio 43%. O resultado repete a pesquisa anterior e confirma que o senador ainda não conseguiu reduzir a vantagem do presidente após o desgaste causado pelo caso Dark Horse.
A estabilidade favorece Lula porque o presidente já ocupa a primeira posição. Para Flávio, permanecer no mesmo patamar significa estancar perdas, mas não avançar sobre o eleitorado necessário para ultrapassar o adversário.
Caso Dark Horse ainda pesa sobre Flávio
O caso Dark Horse representou um baque para Flávio Bolsonaro. O nome se refere ao filme sobre Jair Bolsonaro que teria motivado pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master. Antes do escândalo, o senador havia conseguido empatar com Lula na simulação de segundo turno em abril.
Depois da revelação do caso, a diferença voltou a favorecer o presidente. No primeiro turno, a vantagem de Lula, que havia sido de três pontos, chegou a nove na rodada anterior e agora aparece em dez pontos.
Embora o levantamento atual indique que Flávio conteve parte do desgaste, ele ainda permanece atrás de Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Banco Master também preocupa governistas
O escândalo envolvendo o Banco Master, porém, passou a atingir também o campo governista. A pesquisa foi realizada nos dias 17 e 18 de junho, e capta apenas parcialmente o efeito da operação da Polícia Federal que mirou Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, suspeito de ter recebido pagamentos de Daniel Vorcaro.
Governistas temem que a operação contra Wagner, amigo de Lula, esvazie a exploração política do caso Dark Horse contra Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o Datafolha divulgado neste sábado mostra que Lula manteve sua vantagem no cenário nacional.
O resultado indica que, até o momento da pesquisa, os desdobramentos do caso não foram suficientes para alterar a liderança do presidente.
Soberania vira eixo de ataque a Flávio
Diante do avanço da disputa política, aliados de Lula passaram a investir em outra frente de ataques contra Flávio Bolsonaro: o alinhamento do senador aos Estados Unidos em meio à ameaça de novas tarifas contra o Brasil.
Governistas classificam Flávio como traidor por sua aproximação com Washington e tentam transformar a defesa da soberania nacional em eixo central da campanha. A estratégia busca contrastar o projeto de Lula, apresentado como defensor dos interesses brasileiros, com o bolsonarismo, acusado de subordinação externa.
A pauta da soberania tende a ganhar peso em uma eleição marcada por tensões internacionais, disputas comerciais e pelo papel do Brasil no cenário global.
Lula vence todos os cenários decisivos
O Datafolha mostra que Lula venceria todos os cenários de segundo turno testados. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 47%, contra 43%. Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 47%, ante 41%. Contra Romeu Zema, o placar é de 48% a 39%.
No primeiro turno, Lula também lidera com 41%. Flávio aparece com 31%, enquanto os demais candidatos permanecem distantes. Ronaldo Caiado e Renan Santos têm 3% cada. Zema, Aécio Neves, Samara Martins e Augusto Cury registram 2%. Joaquim Barbosa, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta aparecem com 1%.
A pesquisa espontânea reforça o quadro: Lula é citado por 30% dos entrevistados, contra 17% de Flávio Bolsonaro.
Retrato atual confirma vantagem do presidente
Pesquisas eleitorais não devem ser interpretadas como previsão do resultado final das eleições. Elas funcionam como retrato do momento em que são realizadas. Neste caso, o retrato é favorável a Lula.
O presidente lidera no primeiro turno, aparece à frente na pesquisa espontânea e vence todas as simulações de segundo turno. Mesmo em meio à ofensiva bolsonarista e aos desdobramentos do caso Banco Master, Lula mantém estabilidade e vantagem nacional.
O Datafolha confirma, portanto, que Lula chega à fase pré-campanha como o nome mais competitivo da disputa presidencial de 2026, enquanto Flávio Bolsonaro ainda busca caminhos para reduzir sua distância em relação ao presidente.




