Lula lidera pesquisa espontânea e reforça força nacional no Datafolha
Presidente é citado por 30% dos eleitores sem apresentação de lista de candidatos, contra 17% de Flávio Bolsonaro
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga a pesquisa espontânea do Datafolha divulgada neste sábado (20), em mais um indicativo de sua força nacional na corrida presidencial de 2026. Quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula é citado por 30% dos eleitores, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 17%.
O levantamento, publicado pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.004 pessoas em 139 cidades nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
Lembrança espontânea favorece o presidente
A pesquisa espontânea é um dos indicadores mais importantes de enraizamento político, pois mede quais nomes vêm à mente dos eleitores sem estímulo de uma lista. Nesse quesito, Lula aparece com vantagem de 13 pontos sobre Flávio Bolsonaro.
O resultado reforça a centralidade do presidente no debate nacional. Mesmo em um cenário com diversos nomes testados no primeiro turno, Lula continua sendo o candidato mais lembrado pelo eleitorado.
Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar e se consolida como principal nome do campo anti-Lula. Ainda assim, sua pontuação espontânea permanece significativamente abaixo da registrada pelo presidente.
Demais candidatos têm baixa lembrança
Depois de Lula e Flávio, os demais nomes aparecem em patamar muito inferior. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos registram 1% cada na pesquisa espontânea.
O dado evidencia a dificuldade de outros candidatos em se projetar nacionalmente. Mesmo nomes conhecidos da política institucional, como Caiado e Zema, ainda não demonstram força espontânea suficiente para disputar o protagonismo com Lula e Flávio.
Esse cenário reforça a tendência de polarização entre o presidente e o bolsonarismo, com baixa capacidade de penetração dos demais postulantes junto ao eleitorado.
Lula também lidera no cenário estimulado
A vantagem de Lula na espontânea se combina com sua liderança no cenário estimulado de primeiro turno. Quando os entrevistados recebem a lista de candidatos, o presidente aparece com 41% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro.
Os dois lideram isolados. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 3% cada. Romeu Zema, Aécio Neves, Samara Martins e Augusto Cury registram 2%. Joaquim Barbosa, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta têm 1% cada.
Essa combinação entre liderança espontânea e estimulada fortalece a posição de Lula. O presidente não apenas é o nome mais lembrado, como também mantém vantagem quando todos os candidatos são apresentados ao eleitor.
Capital político acumulado
A liderança espontânea de Lula reflete seu capital político acumulado ao longo de décadas de vida pública. O presidente já disputou diversas eleições nacionais, governou o país em diferentes períodos e mantém forte identificação com segmentos populares.
O Datafolha mostra que Lula tem maior apoio entre os mais pobres, menos escolarizados, pretos, homossexuais e bissexuais, além de alcançar 61% no Nordeste. Esses recortes ajudam a explicar a força de sua lembrança espontânea.
O presidente também registra vantagem expressiva entre mulheres, donas de casa e estudantes em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Entre mulheres, Lula tem 52%, contra 37% do senador. Entre donas de casa, o placar é de 56% a 38%. Entre estudantes, Lula marca 55%, contra 38%.
Flávio se consolida como adversário, mas distante
A pesquisa espontânea confirma Flávio Bolsonaro como principal nome da oposição. O senador aparece com 17%, bem à frente dos demais adversários, mas ainda 13 pontos atrás de Lula.
O desempenho indica que Flávio herdou parte importante do capital político bolsonarista, mas ainda enfrenta dificuldades para reduzir a distância em relação ao presidente. O caso Dark Horse, envolvendo pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, atingiu o senador e ampliou o desgaste político em torno de sua candidatura.
Mesmo com a estabilidade observada na rodada atual, Flávio ainda não conseguiu recuperar o patamar em que chegou a empatar com Lula em uma simulação de segundo turno, em abril.
Favoritismo no retrato atual
A liderança na pesquisa espontânea é mais um elemento favorável a Lula no retrato atual da disputa. O presidente lidera o primeiro turno, vence todos os cenários de segundo turno testados e é o nome mais lembrado sem apresentação de lista.
Esses dados não significam previsão de resultado final, mas indicam que Lula chega ao período pré-eleitoral com presença nacional consolidada e vantagem competitiva sobre seus adversários.
No momento em que a campanha começa a se desenhar, o Datafolha aponta um quadro favorável ao presidente: Lula é o candidato mais lembrado, lidera a corrida e conserva força eleitoral em segmentos estratégicos da sociedade brasileira.




