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Datafolha confirma liderança de Lula no primeiro e no segundo turno

Presidente aparece com 41% contra 31% de Flávio Bolsonaro no cenário principal e venceria todos os adversários testados em eventual segundo turno

Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na corrida presidencial de 2026, segundo nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20). No cenário mais provável de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL), consolidando uma vantagem de dez pontos sobre o principal nome da oposição.

O levantamento, publicado pela Folha de S.Paulo, mostra estabilidade em relação à rodada anterior, quando Lula tinha 40% e Flávio Bolsonaro aparecia com os mesmos 31%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades, na quarta-feira (17) e na quinta-feira (18). A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

Lula lidera isolado no primeiro turno

No principal cenário estimulado, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem isolados à frente dos demais pré-candidatos. Depois do presidente, com 41%, e do senador, com 31%, surgem Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 3%.

Na sequência aparecem Romeu Zema (Novo), Aécio Neves (PSDB), Samara Martins (UP) e Augusto Cury (Avante), todos com 2%. Joaquim Barbosa (DC), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Rui Costa Pimenta (PCO) registram 1% cada. Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) não pontuaram. Brancos e nulos somam 7%, enquanto 4% dizem não saber em quem votar.

A pesquisa também trouxe novidades na composição do cenário eleitoral, como a entrada de Aécio Neves, nome cogitado pelo PSDB para a disputa presidencial, e a substituição de Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa no DC.

Presidente também lidera nas simulações de segundo turno

O Datafolha confirma a vantagem de Lula também nas simulações de segundo turno. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente mantém o mesmo placar registrado há um mês: 47% para Lula e 43% para o senador. Brancos e nulos somam 8%, e 1% não sabe.

A estabilidade ocorre após o impacto inicial do caso Dark Horse, nome do filme sobre Jair Bolsonaro que Flávio Bolsonaro teria tentado financiar com recursos de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na rodada anterior, realizada depois da revelação do pedido de dinheiro, a diferença entre Lula e Flávio no segundo turno havia chegado a quatro pontos.

Segundo o levantamento, o escândalo que atingiu Flávio Bolsonaro também passou a produzir efeitos no campo governista, após desdobramentos envolvendo o Banco Master. A nova pesquisa, porém, capta apenas parcialmente esse movimento, pois foi feita nos dias 17 e 18, sendo que a operação da Polícia Federal que mirou Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, ocorreu no dia 18.

Lula vence Caiado e Zema em disputas diretas

O Datafolha também testou outros dois cenários de segundo turno. Contra Ronaldo Caiado, Lula aparece com 47%, ante 41% do ex-governador de Goiás. Brancos e nulos são 10%, e 2% não sabem. A diferença entre os dois oscilou de nove pontos na pesquisa anterior, quando o placar era de 48% a 39%, para seis pontos no levantamento atual.

Na simulação contra Romeu Zema, Lula tem 48%, contra 39% do ex-governador de Minas Gerais. A diferença é a mesma observada na rodada anterior. Nesse cenário, brancos e nulos somam 11%, e 2% não sabem.

Os resultados indicam que, apesar da estabilidade geral, Lula segue como favorito nas principais simulações testadas pelo instituto, mantendo vantagem tanto no primeiro turno quanto em todos os cenários de segundo turno apresentados.

Pesquisa espontânea reforça polarização entre Lula e Flávio

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula também lidera. O presidente é citado por 30% dos eleitores, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 17%.

Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos registram 1% cada. O resultado reforça a posição de Flávio Bolsonaro como principal nome do campo anti-Lula, embora ainda distante do presidente na lembrança espontânea do eleitorado.

A pesquisa também mediu a rejeição dos principais nomes da disputa. Quando perguntados em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 48% dos entrevistados citaram Flávio Bolsonaro, enquanto 46% mencionaram Lula. Os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

Aécio Neves aparece em terceiro lugar no índice de rejeição, com 23%. Romeu Zema é rejeitado por 17%, e Ronaldo Caiado, por 14%.

O dado mostra que a disputa permanece fortemente polarizada. Ao mesmo tempo em que Lula lidera as intenções de voto, tanto ele quanto Flávio Bolsonaro concentram altos índices de rejeição, o que tende a manter a eleição marcada por forte antagonismo político.

Caso Dark Horse e Banco Master entram no centro da disputa

O caso Dark Horse teve impacto relevante na trajetória eleitoral de Flávio Bolsonaro. Em abril, o senador havia conseguido empatar com Lula na simulação de segundo turno. Depois da revelação de que ele havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, a diferença voltou a favorecer Lula.

No primeiro turno, a vantagem do presidente, que era de três pontos, chegou a nove pontos na rodada anterior e agora está em dez pontos. Para Flávio, a estabilidade do novo levantamento pode ser lida como sinal de contenção de danos. Para Lula, porém, o resultado indica que o governo ainda não conseguiu ampliar sua vantagem de forma significativa.

A situação se tornou mais complexa para o Palácio do Planalto depois que o escândalo do Banco Master passou a atingir também figuras próximas ao governo. A operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner, amigo de Lula e líder do governo no Senado, acendeu um alerta entre governistas, que temem perder força na exploração política do caso contra Flávio.

Pacote econômico e escala 6x1 ainda não impulsionam Lula

O Datafolha é o primeiro levantamento divulgado após a Câmara dos Deputados aprovar o fim da escala 6x1, uma das principais apostas do governo Lula para ampliar seu apoio popular. A proposta, no entanto, está travada no Senado e corre o risco de ficar para depois de outubro.

O governo também tenta capitalizar um pacote de medidas de mais de R$ 140 bilhões em créditos e subsídios. Até o momento, porém, a pesquisa indica que essas iniciativas ainda não produziram um salto expressivo nas intenções de voto do presidente.

A menos de dois meses do início oficial da campanha, Lula e Flávio Bolsonaro têm travado embates em temas como soberania, Pix e segurança pública. Depois de um encontro com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, Flávio conseguiu que facções criminosas fossem consideradas terroristas pelos EUA e apresentou uma série de propostas de linha dura para reanimar sua base conservadora.

Em resposta, Lula prometeu um programa contra roubo de celulares e cobrou a presença de ministros em inaugurações de obras pelo país. Governistas também passaram a investir em ataques a Flávio Bolsonaro, classificando-o como traidor por seu alinhamento aos Estados Unidos em meio à ameaça de novas tarifas contra o Brasil.

Recortes do eleitorado mostram bases consolidadas

Os recortes do Datafolha reforçam tendências já conhecidas pelas campanhas. Lula tem desempenho superior entre mulheres, donas de casa, estudantes, eleitores mais pobres, menos escolarizados, pretos, homossexuais e bissexuais, além de liderar com ampla vantagem no Nordeste, onde chega a 61%.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta melhor desempenho entre empresários, eleitores de renda mais alta, evangélicos, brancos e moradores do Sul. Na região Sul, o senador alcança 54%.

Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula marca 52% entre mulheres, contra 37% de Flávio. Entre donas de casa, o presidente tem 56%, e o senador, 38%. Entre estudantes, Lula aparece com 55%, ante 38% do bolsonarista. Já no universo dos empresários, Flávio lidera com 69%, enquanto Lula registra 25%.

O desempenho mais fraco entre mulheres ajuda a explicar a busca de Flávio Bolsonaro por uma vice mulher, numa tentativa de reduzir a desvantagem em um segmento decisivo do eleitorado.

Eleitores de 2022 mantêm fidelidade ao voto

O Datafolha também perguntou aos eleitores se eles se arrependem do voto dado em 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,9% a 49,1%. As respostas permaneceram estáveis.

Entre os que votaram em Lula, 91% afirmam não se arrepender, enquanto 9% dizem se arrepender. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 93% dizem não se arrepender, e 7% afirmam que se arrependem.

O dado reforça a persistência da polarização política brasileira e mostra que os dois campos preservam alto grau de fidelidade entre seus eleitores originais.

Os dados de pesquisas eleitorais não devem ser interpretados como previsão do resultado final das eleições. Eles funcionam como um retrato da opinião dos eleitores no momento em que o levantamento é realizado.

No caso do Datafolha divulgado neste sábado, o quadro aponta para uma disputa ainda polarizada, mas com Lula em posição de vantagem. O presidente lidera no primeiro turno, vence todas as simulações de segundo turno e mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro, seu principal adversário até aqui na corrida presidencial de 2026.

Lula lidera no Datafolha
Lula lidera no Datafolha(Photo: Brasil 247 / Dall-E)Brasil 247 / Dall-E

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