MME abre consulta pública para plano com R$ 3,5 trilhões até 2035
Governo projeta expansão da oferta elétrica, avanço de biocombustíveis e pico do petróleo em 2032
247 - O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu, nesta quinta-feira (12), consulta pública para receber contribuições ao Plano Nacional de Energia (PNE) 2055 e ao Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035. Os dois instrumentos reúnem diretrizes estratégicas para o setor energético brasileiro e projetam cerca de R$ 3,5 trilhões em investimentos ao longo da próxima década.
De acordo com o planejamento apresentado, aproximadamente 80% dos recursos estimados até 2035 devem ser destinados aos segmentos de petróleo e gás natural. A energia elétrica deverá concentrar 17% do total, enquanto os biocombustíveis líquidos responderão por 3%.
Expansão da oferta elétrica e infraestrutura
O PDE 2035 aponta que a oferta de energia elétrica deve crescer 100 gigawatts (GW) no período, além da incorporação de mais de 6 GW em capacidade de baterias. Também estão previstos cerca de 29 mil quilômetros de novas linhas de transmissão, reforçando a malha nacional.
No campo dos biocombustíveis, o plano projeta produção de 50 bilhões de litros de etanol e 2,8 bilhões de litros de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) até 2035. O documento também indica que o pico de produção de petróleo no Brasil deve ocorrer em 2032.
O PDE estima a demanda de energia do País e sinaliza a expansão necessária em geração, transmissão e infraestrutura associada. Embora não estabeleça obrigações diretas de investimento, o plano funciona como referência para o mercado e para órgãos reguladores na formulação de políticas e decisões setoriais.
Projeções até 2055 e transição energética
No horizonte de longo prazo, o PNE 2055 mapeia tendências estruturais do setor. A demanda total de energia pode chegar a ser até duas vezes superior à registrada em 2025. O consumo de eletricidade, por sua vez, pode crescer até 4,2 vezes no mesmo intervalo.
Entre os vetores de maior pressão sobre o sistema elétrico estão os data centers, cujo consumo pode alcançar 300 terawatt-hora (TWh). Para dar suporte a essa expansão, a infraestrutura de transmissão poderá triplicar até 2055.
O plano também projeta mudanças na composição do consumo final de energia. A participação dos derivados de petróleo, que hoje representa cerca de 41%, pode recuar para uma faixa entre 7% e 28% em 2055, a depender dos cenários modelados.
No setor elétrico, os investimentos acumulados podem alcançar R$ 2 trilhões até 2055, conforme o crescimento da carga e o grau de ambição climática adotado. Para transmissão, a estimativa é de aproximadamente R$ 600 bilhões.
Já os biocombustíveis podem ampliar sua presença na Oferta Interna de Energia (OIE), passando a responder por algo entre 32% e 42% em 2055. Etanol, biodiesel e biometano tendem a ganhar participação em diferentes segmentos da economia.
As modelagens do PNE 2055 servirão de base para o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), previsto para o primeiro semestre de 2026. A consulta pública aberta pelo MME busca reunir subsídios técnicos para aperfeiçoar políticas e programas, em alinhamento com recomendações da Agência Internacional de Energia (IEA).


