HOME > Brasil

Moraes arquiva investigação contra delegados da PRF por blitze nas eleições

Decisão do STF segue parecer da PGR e aponta ausência de provas contra parte dos investigados no episódio das operações da PRF no segundo turno

18/11/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, do STF, durante o julgamento da Ação Penal 2696 referente ao Núcleo 3 da trama golpista (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento da investigação contra dois delegados da Polícia Federal acusados de envolvimento nas blitze realizadas durante o segundo turno das eleições de 2022, operações que acabaram interferindo no deslocamento de eleitores em várias regiões do país.

A decisão seguiu o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou inexistirem provas suficientes para sustentar a acusação contra os delegados Alfredo de Souza Lima Coelho Carrijo e Leo Garrido de Salles Meira.

Além desses dois nomes, outros quatro policiais federais cedidos ao Ministério da Justiça também haviam sido indiciados no inquérito: Alfredo Carrijo, Fernando de Sousa Oliveira, Leo Garrido de Salles Meira e Marília Ferreira de Alencar. No despacho assinado nesta quinta-feira (22), Moraes acolheu integralmente o parecer da PGR em relação a Carrijo e Meira, determinando o arquivamento das apurações contra ambos por falta de elementos probatórios.

Em relação aos demais investigados, o encerramento do processo ocorreu por razões distintas. No caso do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, de Marília Ferreira de Alencar e do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o arquivamento foi determinado porque os três já foram condenados pelo STF pelos mesmos fatos analisados nesse inquérito.

Silvinei Vasques e Anderson Torres cumprem pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. Ambos foram condenados no âmbito das ações relacionadas à chamada trama golpista investigada pela Corte.

Já no caso do delegado Fernando de Sousa Oliveira, que ocupava interinamente a chefia da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal durante os atos de 8 de janeiro, a investigação foi arquivada porque ele foi absolvido pelo STF na ação penal que apurou os mesmos acontecimentos ligados à trama golpista.

Relembre o caso

No dia 30 de outubro de 2022, data do segundo turno das eleições presidenciais, a PRF realizou uma série de blitze que impactaram diretamente a circulação de eleitores, especialmente no Nordeste, região em que o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia à frente de Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.

Na véspera da votação, o então diretor-geral da PRF havia declarado apoio a Bolsonaro. Diante das denúncias de interferência no processo eleitoral, Alexandre de Moraes determinou, no próprio domingo do segundo turno, a suspensão imediata das operações, sob pena de prisão de Silvinei Vasques. A ordem, no entanto, não foi cumprida de forma integral pela corporação.

Um relatório obtido à época pelo blog da jornalista Andréia Sadi revelou que, entre os dias 28 e 30 de outubro de 2022, a PRF fiscalizou 2.185 ônibus no Nordeste, enquanto no Sudeste foram abordados 571 veículos no mesmo período, números que reforçaram as suspeitas de direcionamento das operações às regiões onde Lula era favorito nas urnas.

Artigos Relacionados