‘Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais’, diz Lula
Brasil busca parcerias com transferência de tecnologia na mineração
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (19), pela rede social X, que o Brasil não pretende se limitar à exportação de matérias-primas e defendeu mais investimentos em minerais críticos, com foco em inovação, tecnologia e desenvolvimento industrial. A declaração reforça a estratégia de ampliar o papel do país em setores ligados à transição energética e à economia digital.
Durante agenda na Alemanha, o presidente destacou a importância desses recursos para a economia global e apontou o potencial brasileiro na área. “Minerais críticos são essenciais para a descarbonização e a transformação digital. Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já detém a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras e a terceira de níquel”, escreveu.
O presidente também enfatizou a necessidade de mudar o modelo econômico ligado à mineração. “Esses insumos devem ser instrumentos de desenvolvimento econômico e social. Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais. Estamos abertos a parcerias internacionais que incluam etapas de maior valor agregado e transferência de tecnologia”.
Potencial das terras raras
O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China, que concentra 44 milhões, conforme dados de 2024 do Serviço Geológico dos Estados Unidos. A Índia aparece na sequência, com aproximadamente 6,9 milhões de toneladas, segundo informações publicadas pelo jornal Valor Econômico em julho do ano passado.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos utilizados em tecnologias avançadas, como motores elétricos, turbinas eólicas, dispositivos móveis e sistemas aeroespaciais. Esses materiais desempenham papel estratégico na indústria global e na transição para fontes de energia mais limpas.
Parcerias e agenda internacional
Durante agenda na Alemanha, o governo brasileiro prevê a assinatura de dez acordos em diferentes áreas. As parcerias envolvem setores como defesa, mudanças climáticas, infraestrutura, inteligência artificial, inovação energética, bioeconomia, desenvolvimento sustentável e pesquisa científica.
A iniciativa busca fortalecer a cooperação internacional e ampliar a presença do Brasil em cadeias produtivas de maior valor agregado, com foco em tecnologia e sustentabilidade.


