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"Não sou o carnavalesco", diz Lula sobre polêmica no carnaval

Presidente afirma que apenas foi homenageado e rebate críticas

Desfile da Acadêmicos de Niterói (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não teve participação na elaboração do enredo ou do samba da Acadêmicos de Niterói, escola que o homenageou no Carnaval do Rio de Janeiro. Questionado sobre críticas de setores evangélicos a uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, o presidente declarou que não foi responsável pelo conteúdo apresentado na Marquês de Sapucaí.

De acordo com o G1, Lula respondeu diretamente ao ser perguntado sobre o tema: “Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, afirmou.

Lula nega participação no enredo

O presidente também avaliou que a homenagem teve como principal destinatária sua mãe, Dona Lindu. “É uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer a gente para São Paulo”, disse.

Ao comentar a repercussão do desfile, Lula manifestou gratidão à escola e afirmou que pretende agradecer pessoalmente. “Quando eu voltar a São Paulo, e para o Brasil, vou visitar a escola para agradecer a homenagem que eles prestaram a saga da Dona Lindu”, declarou. A Acadêmicos de Niterói está sediada no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro.

Escola é rebaixada no Grupo Especial

No desfile, a agremiação apresentou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico, a atuação sindical e a chegada à Presidência da República. Em sua estreia no Grupo Especial do carnaval carioca, a escola terminou a apuração em último lugar e foi rebaixada.

Partidos acionam o TSE

O desfile motivou representações no Tribunal Superior Eleitoral. Partido Liberal (PL) e partido Missão protocolaram novas ações após a apresentação. Ao todo, quatro representações sobre o caso foram encaminhadas ao TSE, duas antes e duas depois do desfile. Além disso, pelo menos dez iniciativas semelhantes foram registradas em diferentes instâncias judiciais.

As novas representações ainda não têm prazo definido para julgamento. Esses pedidos não estão relacionados à denúncia apresentada pela senadora Damares Alves ao Ministério Público Eleitoral no início do mês.

O partido Missão voltou a acionar o TSE após ter pedido liminar rejeitado. Na nova manifestação, sustenta que o samba-enredo configuraria propaganda eleitoral antecipada e solicita multa, além da proibição do uso de imagens do desfile em redes sociais e em eventuais pré-campanhas e campanhas do PT e do presidente.

Já o PL apresentou pedido de produção antecipada de provas, alegando suspeita de abuso de poder político e econômico. A legenda solicita informações sobre recursos destinados ao desfile, gastos com hospedagem e deslocamento de autoridades para camarotes da prefeitura e o tempo de exibição das imagens em televisão aberta.

No documento enviado ao TSE, o partido afirma que “uma suposta homenagem a um mandatário em exercício, cuja história de vida seria alegadamente narrada pelos olhos de sua mãe, falecida ainda na década de 80, converteu-se em incontestável peça política de promoção e exaltação pessoal da figura de um pré-candidato”.

A representação acrescenta que o enredo incluiu, “anomalamente, desconstrução da imagem política de seus opositores, com desvirtuação do próprio pré-anunciado objeto do desfile (narrar a história de vida de uma dada pessoa)”.

O texto sustenta ainda que, “diante da relevância do tema, sobretudo considerando as eleições presidenciais que se avizinham, há relevantes e fundados indícios de abuso de poder político e econômico para futuro ajuizamento de Ação de Investigação Judicial Eleitoral”.

Decisão da Corte Eleitoral

Antes do Carnaval, pedidos para impedir o desfile ou suspender repasses de recursos públicos já haviam sido apresentados. As ações alegavam que trechos do samba e da apresentação configurariam propaganda eleitoral antecipada, já que a legislação permite esse tipo de divulgação apenas a partir de 16 de agosto.

O caso foi analisado pelo plenário do TSE, que, por unanimidade, negou liminar para barrar o desfile, sob o entendimento de que a medida poderia caracterizar censura prévia. Ministros alertaram, contudo, que eventuais condutas na avenida poderiam ser avaliadas posteriormente.

Após a decisão, o PT orientou seus integrantes a evitar atos que pudessem ser interpretados como propaganda antecipada. O governo federal negou irregularidades, afirmou que não participou da escolha do enredo e sustentou que o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente. Depois da apresentação, Lula elogiou o desfile nas redes sociais, enquanto partidos de oposição anunciaram novas medidas judiciais relacionadas ao caso.

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