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Paulo Paim cita João Campos como possível sucessor de Lula em 2030

“Ele é um quadro jovem, que tem que ser olhado com muito carinho”, afirma o senador, que se despede da vida pública

Paulo Paim (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

247 - O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), pode despontar como uma alternativa no campo progressista para disputar a Presidência da República em 2030, sucedendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação foi feita em entrevista publicada pela Folha de São Paulo, na qual o parlamentar também anunciou que não pretende disputar as eleições deste ano, para encerrar sua trajetória no Congresso Nacional após quase quatro décadas de atuação.

Paim defendeu a necessidade de renovação política e destacou a importância de fortalecer lideranças mais jovens dentro do campo progressista. Ao comentar a sucessão presidencial, ele citou o atual prefeito do Recife como um exemplo de nome que poderia ganhar protagonismo nos próximos anos.

“Até 2030 podem surgir novos quadros dentro ou fora do PT. Vou citar apenas um nome de exemplo, porque tem sido lembrado por muita gente, e eu era muito amigo do pai dele, que é o prefeito do Recife, João Campos, filho do Eduardo Campos. Ele é um quadro jovem [tem 32 anos], que tem que ser olhado com muito carinho”, afirmou o senador.

Fim de ciclo político após quatro décadas no Congresso

Aos 75 anos, Paulo Paim declarou que não pretende voltar a disputar eleições e que considera encerrada sua trajetória parlamentar após cerca de 40 anos no Congresso Nacional. Ele iniciou sua carreira como deputado federal constituinte e atualmente cumpre o terceiro mandato como senador.

Segundo o parlamentar, a decisão de não concorrer novamente já havia sido anunciada anteriormente. Paim disse que pretende dedicar os próximos anos a atividades sociais e ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Na última campanha [para o Senado, em 2018] eu já tinha anunciado que não pretendia mais ser candidato. Completarei 40 anos [no Congresso] ao fim deste último mandato. Sou favorável a fortalecer as novas gerações”, declarou.

Ele também afirmou que pretende continuar atuando em iniciativas sociais no Rio Grande do Sul e dedicar mais atenção à saúde. “Já projetei a minha vida para continuar atendendo vulneráveis no meu escritório, no Rio Grande Sul. Quero continuar com esse trabalho em parceria com universidades e cuidar melhor da minha saúde".

Defesa do direito de Haddad recusar candidatura

Durante a entrevista, Paim também comentou o debate interno no PT sobre a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo nas eleições de 2026. Segundo o senador, embora Haddad seja considerado um dos principais quadros do partido, ele teria o direito de recusar a disputa. “O presidente Lula, quando pede que Haddad seja candidato a governador, mostra que ele é um dos principais quadros do PT, em uma campanha que chega muito dura”, afirmou.

O senador destacou ainda o trabalho de Haddad à frente do Ministério da Fazenda. “Nós sabemos que nas redes sociais vamos sofrer muitos ataques, mas ele estará naturalmente preparado para defender o governo à altura, porque fez um belíssimo trabalho enquanto ministro da Fazenda".

Apesar disso, Paim afirmou que a decisão final deveria caber ao próprio ministro. “Mas como eu decidi que não vou concorrer, ele também tem o direito [de negar]”, disse.

Renovação política e alianças no campo progressista

Ao avaliar o cenário político, o senador afirmou que o PT poderia ter investido mais na formação de novas lideranças ao longo dos anos, embora reconheça a existência de quadros mais jovens na política nacional. “Acho que nós deveríamos ter trabalhado mais na construção de quadros mais novos. Não quer dizer que não tenha alguns”, afirmou, citando Haddad e outros ministros como exemplos de lideranças com potencial político.

Ele também destacou o processo de articulação entre partidos do campo progressista para as próximas eleições legislativas. Segundo Paim, o PT vem dialogando com PSB, Psol, PCdoB e Partido Verde para formar alianças nos estados.

Críticas à pauta de impeachment de ministros do STF

Outro tema abordado pelo senador foi a defesa, por setores da direita, de campanhas eleitorais centradas na proposta de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para Paim, esse tipo de pauta não contribui para o debate político. “Acho que é uma bandeira que não leva a lugar nenhum. Se você vai fazer uma campanha tendo como meta derrubar ministros do Supremo, acho um desequilíbrio”, afirmou.

Apesar da crítica, o parlamentar ressaltou que o Supremo pode ser alvo de questionamentos institucionais. “Não quer dizer que não se possa ter críticas ao Supremo, o Supremo não é Deus".

Redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1

Entre as prioridades legislativas que pretende ver aprovadas antes de deixar o Senado, Paim destacou a redução da jornada de trabalho no Brasil. Ele é autor da PEC 148/2015, que propõe a diminuição gradual da carga semanal para 36 horas.

Segundo o senador, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 poderia avançar ainda neste ano. “Acho que neste ano daria para aprovar a redução para 40 horas semanais e ir reduzindo uma hora por ano".

Paim argumentou que a mudança poderia trazer benefícios sociais sem prejudicar a economia. “São mais pessoas com saúde, sem estresse, com direito a olhar mais para a família, tendo mais tempo para estudar e menos suscetíveis a acidentes no trabalho".

Ele citou ainda experiências de países europeus que discutem jornadas menores. “Por que em países de primeiro mundo, como Espanha e Alemanha, já se discute a jornada de 36 horas? Não é porque eles são bonzinhos, é porque sabem que aumenta a produtividade, a qualidade de vida e o próprio mercado consumidor melhora".

Ao final, o senador afirmou acreditar que modelos de jornada ainda mais curtos podem surgir no futuro. “Vai chegar uma época em que a escala vai ser de 4 por 3. Mas como não sou de vender terreno na Lua, não vou achar que aqui no Brasil vai ter 4 por 3 agora. Isso demora alguns anos. Mas as 40 horas, neste ano, é possível".

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