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Percepção sobre economia piora entre brasileiros, aponta Datafolha

Pesquisa mostra aumento do pessimismo sobre economia, desemprego e inflação, além de maior insatisfação com a situação financeira pessoal

Lula e Fernando Haddad (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - A percepção dos brasileiros sobre a situação econômica do país se deteriorou nos últimos meses, revertendo parcialmente a melhora observada no final de 2025. É o que mostra uma pesquisa do instituto Datafolha, divulgada pela Folha de S.Paulo, que indica crescimento do pessimismo tanto em relação ao desempenho da economia quanto às perspectivas para o futuro.

Segundo o levantamento, aumentou o número de entrevistados que avaliam que a economia brasileira piorou recentemente. O percentual passou de 41% em dezembro do ano passado para 46% na pesquisa realizada entre os dias 3 e 5 de março. Ao mesmo tempo, caiu a parcela dos que acreditam que a situação melhorou, que recuou de 29% para 24%.

Os números se situam em um patamar intermediário dentro do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O melhor resultado da gestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia sido registrado nas três pesquisas realizadas em 2023, quando 35% afirmavam que a economia havia piorado. O índice mais elevado ocorreu em abril de 2025, quando chegou a 55%. Haddad deve deixar o cargo na próxima semana para disputar o governo de São Paulo.

Pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas

O levantamento do Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03715/2026.

A avaliação negativa da economia aparece em proporções semelhantes entre diferentes faixas de renda, em torno de 46%. A exceção ocorre entre pessoas com renda superior a dez salários mínimos, grupo em que o índice de percepção de piora chega a 69%.

Também há diferenças relevantes em segmentos sociais e religiosos. Entre evangélicos, 57% afirmam que a situação econômica piorou, ante 41% entre católicos. O percentual atinge ainda 65% entre empresários e chega a 77% entre eleitores que dizem pretender votar em Flávio Bolsonaro, contra 14% entre os que afirmam votar em Lula.

Cresce expectativa de piora da economia

O pessimismo também aparece nas projeções para os próximos meses. Para 35% dos entrevistados, a economia brasileira deve piorar no futuro próximo — um salto em relação aos 21% registrados em dezembro. Em julho do ano passado, o indicador havia alcançado 45%.

Já a expectativa de melhora caiu. Depois de atingir 46% em dezembro, o índice recuou para 30% na nova pesquisa.

O otimismo é maior entre pessoas com renda de até dois salários mínimos (33%) do que entre aquelas que recebem mais de dez mínimos (11%). Regionalmente, ele aparece mais forte no Nordeste (36%) do que no Sudeste (25%). Entre grupos raciais, 32% dos entrevistados pretos e 31% dos pardos acreditam em melhora, contra 26% dos brancos.

A diferença também aparece na religião: 33% dos católicos esperam melhora da economia, enquanto entre evangélicos o percentual é de 23%. Entre eleitores potenciais de Lula, 51% acreditam em melhora, mas o índice cai para 14% entre os que pretendem votar em Flávio Bolsonaro, 16% entre os que mencionam Romeu Zema e 17% entre os que citam Ratinho Junior.

Avaliação do governo permanece estável

Apesar da deterioração na percepção sobre a economia, a avaliação do governo Lula permaneceu relativamente estável no período. A taxa de aprovação se manteve em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026.

Já a avaliação negativa oscilou de 37% para 40%, variação considerada dentro da margem de erro da pesquisa. O resultado sugere que o aumento do pessimismo pode estar mais associado a fatores econômicos do que a mudanças na percepção sobre o governo.

O início de 2026 foi marcado pela confirmação de desaceleração da economia brasileira e por fatores externos, como o início de um conflito no Irã. Internamente, o período também foi caracterizado por juros elevados e aumento do endividamento de famílias e empresas. Por outro lado, indicadores de renda e inflação apresentaram melhora.

Reforma do Imposto de Renda não altera percepção

O levantamento também avaliou o impacto da reforma do Imposto de Renda na percepção sobre a situação financeira pessoal. Os resultados não indicam efeito claro da medida nas avaliações dos entrevistados.

Entre pessoas com renda de até dois salários mínimos — grupo que já era isento — 28% disseram que sua situação melhorou. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, que inclui beneficiados pela ampliação da isenção, 32% relatam melhora.

O percentual chega a 35% entre aqueles que ganham de cinco a dez salários mínimos, embora nesse grupo não haja desoneração direta. Já entre os que recebem mais de dez salários mínimos — faixa afetada pelo imposto mínimo sobre dividendos — 25% afirmam que sua situação melhorou, enquanto 30% dizem que piorou.

A reforma ampliou a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5.000 por mês e reduziu o imposto para rendas de até R$ 7.350. Já o imposto mínimo passou a atingir contribuintes que recebem dividendos superiores a R$ 50 mil mensais.

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