Petrobras vai evitar repassar volatilidade do petróleo ao consumidor, diz Magda Chambriard
Presidente da estatal afirma que estratégia é evitar repasse da volatilidade internacional aos preços internos mesmo com barril perto de US$ 90
247 - A Petrobras pretende evitar que as fortes oscilações do preço internacional do petróleo impactem diretamente o consumidor brasileiro. A avaliação foi feita pela presidente da estatal, Magda Chambriard, em meio à recente alta da commodity, que chegou a cerca de US$ 90 por barril nesta sexta-feira.
A executiva comentou o cenário de instabilidade global e explicou como a política de preços da empresa busca preservar o mercado interno dessas flutuações.
Segundo Magda Chambriard, o ambiente internacional permanece marcado por incertezas geopolíticas que afetam diretamente a cotação do petróleo. Ainda assim, a prioridade da Petrobras é manter a empresa preparada para diferentes cenários do mercado energético.
“Sem dúvida, estamos vivendo um momento de alta instabilidade geopolítica no qual nossa preocupação é deixar a empresa preparada para qualquer cenário que ocorra no preço do petróleo. Se for US$ 85 ou US$ 55 temos que estar preparados”, afirmou.
A presidente relembrou que, ao longo do ano passado, o mercado também passou por fortes variações. O barril começou o período acima de US$ 80 e terminou abaixo de US$ 60, chegando a US$ 59. Mesmo com essas mudanças, a companhia manteve desempenho financeiro robusto. Na véspera da conferência, a Petrobras havia divulgado lucro líquido de R$ 110,129 bilhões em 2025, resultado 200% superior ao registrado no ano anterior.
Magda Chambriard também destacou que as recentes oscilações estão sendo intensificadas pelo conflito no Irã, fator que elevou a volatilidade do mercado internacional.
“Nossa política segue sólida. Observamos as paridades internacionais de petróleo sem repassar as volatilidades para o mercado interno. No ano passado entregamos um ótimo resultado em relação a preços”, disse.
Ela acrescentou que a companhia continua operando com importações e exportações de acordo com suas necessidades e que as refinarias seguem ampliando sua capacidade de processamento. Ao mesmo tempo, a gestão mantém atenção ao caixa da empresa e busca reforçar a eficiência operacional com redução de custos.
“Hoje estamos falando em US$ 85, há alguns dias falamos US$ 55. E há quem fale em US$ 55 para o ano que vem. Estamos olhando todas as variáveis e condições, garantindo que a empresa esteja absolutamente preparada para enfrentar quaisquer desses cenários que se apresentem ao longo de 2026 e 2027”, afirmou.
Apesar da estratégia de amortecer oscilações no mercado doméstico, a presidente indicou que movimentos mais prolongados de alta podem exigir reações mais rápidas da empresa.
“Nesse momento a gente está se perguntando até que momento essa cotação vai continuar. E essa pergunta ainda não está respondida. Se essa volatilidade for grande e a subida for grande assim, ela vai exigir respostas mais rápidas se a subida fosse mais lenta”, declarou.
O diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Romeo Schlosser, também comentou os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o comércio internacional de petróleo. Segundo ele, a estatal chegou a interromper negociações por dois ou três dias no início da guerra no Irã.
“Tem 146 embarcações meio trapeadas lá (na região do conflito). Os mercados que a gente abastece estão fora da região do conflito, como Índia, China e Europa”, afirmou.
Schlosser ressaltou que a Petrobras mantém uma posição considerada vantajosa no transporte marítimo do petróleo exportado. Cerca de 30% do frete da empresa é garantido por contratos de longo prazo, percentual significativamente superior à média do mercado, que não chega a 10%.
Ele explicou ainda que a política comercial da companhia foi estruturada justamente para enfrentar momentos de forte volatilidade.
“A estratégia comercial da Petrobras foi criada para momentos como esse de volatilidade. Ela foi criada para isso. A estratégia comercial dá essa robustez na condição de seus negócios”, afirmou.
O diretor acrescentou que, no segmento de derivados, a empresa segue cumprindo seu planejamento operacional. Segundo ele, as importações estão ocorrendo conforme o previsto e contam com participação relevante de importadores privados.
“Certamente a visão de longo prazo está bem coberta e o curto prazo é foto a foto. Cada dia é o seu dia. E vamos monitorando e fazendo análises”, disse.

