"Quem apostar contra a Petrobras vai perder", diz Magda Chambriard
Companhia teve lucro líquido de R$ 110 bilhões em 2025, alta de 200% em relação ao ano anterior
247 - A Petrobras registrou um forte avanço em seus resultados financeiros e a presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que o desempenho demonstra a capacidade da estatal de ampliar produção e vendas, além de reforçar a confiança do mercado na empresa. À agência Reuters, a executiva destacou o crescimento expressivo do lucro e afirmou que o resultado sinaliza perspectivas positivas para investidores.
A companhia divulgou na quinta-feira (5) um lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, o que representa uma alta de 200,8% em relação ao ano anterior. O balanço indica que o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção, das vendas e das exportações, além de ganhos de eficiência operacional. Esses fatores sustentaram o crescimento mesmo diante da queda do preço médio do petróleo em comparação a 2024, quando o barril ficou em torno de US$ 70.
Durante a entrevista, Chambriard ressaltou a confiança no desempenho futuro da estatal. “Quem apostar contra a Petrobras vai perder”, afirmou ao comentar os resultados divulgados pela companhia.
A presidente também destacou que a empresa segue monitorando atentamente o comportamento do mercado internacional de petróleo. Os preços da commodity passaram por forte alta desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o que pode influenciar decisões futuras sobre eventuais repasses aos combustíveis. Segundo ela, a empresa avalia o cenário antes de qualquer medida. “Agora é olhar para a frente e ver o que a Petrobras pode entregar a seus acionistas e ao país no novo cenário de Brent que o contexto mundial está desenhando”, declarou.
Apesar de a Petrobras ainda não ter alterado seus preços, entidades do setor afirmam que parte da cadeia de distribuição já começou a refletir a recente alta do petróleo no mercado internacional, segundo a Folha de São Paulo. A Fecombustíveis informou na quinta-feira (5) ter recebido relatos de que algumas distribuidoras estariam repassando aumentos aos postos.
A entidade reúne sindicatos patronais que representam cerca de 45 mil postos no país e explicou que o movimento ocorre porque parte do combustível comercializado no Brasil é importada ou refinada por empresas privadas. “Por isso, os preços nacionais são afetados pelos preços praticados no mercado externo”, afirmou a federação.
A Fecombustíveis também ressaltou que os postos são o elo final da cadeia de comercialização e frequentemente absorvem o impacto de reajustes feitos em etapas anteriores do mercado. “Os postos revendedores, por sua vez, representam apenas o último e mais frágil elo da cadeia de comercialização e estão sujeitos ao aumento do custo para a compra dos combustíveis junto às distribuidoras, com possíveis reflexos nos preços ao consumidor”, declarou.
O eventual reajuste ocorre em um contexto em que a Petrobras responde por cerca de 70% do abastecimento de combustíveis no país e ainda não promoveu alterações em seus preços. Segundo relatório do banco Goldman Sachs enviado a clientes, o valor do diesel vendido pela estatal às distribuidoras está cerca de 30% abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022.
Para o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araujo, a estratégia da Petrobras de aguardar maior estabilidade no mercado internacional é compreensível, mas o cenário já exigiria uma revisão dos preços internos. Ele avalia que a defasagem pode reduzir o interesse de importadores, responsáveis por abastecer parte do mercado nacional.
Entre as distribuidoras, a Ipiranga informou que acompanha continuamente as condições do mercado e pode realizar ajustes comerciais conforme a legislação e as práticas do setor. A empresa ressaltou ainda que o preço final nos postos é definido pelos revendedores, em um mercado regido pela livre concorrência. As demais grandes distribuidoras citadas na reportagem —Vibra e Raízen— não comentaram o tema.
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), que representa as empresas do setor, destacou que a formação de preços na cadeia de distribuição segue a dinâmica de oferta e demanda. Já a Fecombustíveis afirmou ser importante esclarecer as etapas do processo para evitar que postos sejam responsabilizados pelo aumento de preços provocado por reajustes ocorridos anteriormente na cadeia de abastecimento.


