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Shell confirma aporte bilionário na Raízen e cobra compromisso igual da Cosan

Aporte depende de contribuição proporcional da Cosan em meio a dívida de R$ 55,3 bilhões e prejuízos bilionários

Raízen (Foto: Reuters)

247 - O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou nesta terça-feira (3) que a companhia está disposta a investir até R$ 3,5 bilhões na capitalização da Raízen, uma das maiores produtoras globais de açúcar e etanol e importante distribuidora de combustíveis no país. O aporte, segundo ele, está condicionado a uma contribuição equivalente da Cosan, sócia no empreendimento.

De acordo com o executivo, a Shell não pretende ampliar sua participação acionária nem absorver a dívida da controlada em seu próprio balanço. “Nossa expectativa é que o outro acionista possa contribuir de maneira proporcional”, declarou.

A Raízen atravessa um período de forte deterioração financeira. Em dezembro, a companhia acumulava dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, crescimento de 43,3% na comparação com o mesmo período de 2024. No quarto trimestre de 2024 — correspondente ao terceiro trimestre do ano fiscal da empresa — o prejuízo líquido atingiu R$ 15,6 bilhões, valor seis vezes superior ao registrado um ano antes.

No fim de 2024, os acionistas promoveram mudanças na administração e deram início a um plano de venda de ativos considerados não essenciais, como parte da estratégia para reduzir o endividamento. Paralelamente, a empresa negocia com credores alternativas para viabilizar uma nova injeção de capital.

Pinto da Costa afirmou que a Shell chegou a buscar um novo investidor para a companhia, mas as tratativas não avançaram. “Por isso que as conversas hoje estão muito ligadas aos sócios atuais”, disse.

Entre as alternativas analisadas está a eventual separação das operações de distribuição de combustíveis e de produção de açúcar e etanol. A Shell, segundo o executivo, prefere que a capitalização ocorra com a empresa ainda integrada. “A Shell não se opõe a uma eventual quebra dos negócios. A gente só acredita que a sequência correta... era você tentar recapitalizar a companhia de uma forma integrada primeiro e, depois que a companhia estiver estabilizada, você eventualmente considerar uma separação”, afirmou.

A Raízen foi criada em 2011 com a proposta de integrar as atividades de distribuição de combustíveis, aportadas pela Shell, e as operações agroindustriais da Cosan, buscando sinergias entre os dois segmentos.

O presidente da Shell Brasil atribuiu a crise a uma combinação de fatores. “Expansão acelerada, fatores macroeconômicos desfavoráveis, [com baixo] preço de açúcar e etanol, desaceleração da transição energética e uma alavancagem que coincidiu com um ciclo de alta de juros”, explicou.

Ele também confirmou reunião com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar de possíveis soluções para a situação financeira da Raízen, mas evitou comentar se a Petrobras participou do encontro ou se há negociações com a estatal. “É de interesse do governo brasileiro, a Raízen sendo uma das principais companhias do país, que ela consiga achar um caminho para se reestruturar”, afirmou.

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