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Petrobras lucra R$ 110,1 bilhões em 2025 e mostra força operacional

Produção recorde, geração robusta de caixa e avanço nos investimentos sustentaram o resultado da estatal em um ano de preços menos favoráveis

Presidente Lula e presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante cerimôniade ampliação da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 – A Petrobras encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, o equivalente a US$ 19,6 bilhões, em um resultado que representa alta de 200% em relação a 2024, quando a companhia havia registrado R$ 36,6 bilhões. Os números foram divulgados pela Agência Petrobras, fonte original das informações, e evidenciam a capacidade da estatal de ampliar sua rentabilidade mesmo em um ambiente internacional adverso para o setor de petróleo.

O desempenho da empresa foi alcançado em um cenário de queda de 14% no preço do Brent ao longo do ano, referência global do mercado petrolífero. Ainda assim, a Petrobras conseguiu compensar esse impacto com crescimento operacional, aumento da produção de óleo e gás, redução de despesas e forte geração de caixa. O Fluxo de Caixa Operacional atingiu R$ 200 bilhões, ou US$ 36 bilhões, impulsionado sobretudo pela expansão de 11% na produção total no período.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou o peso da performance operacional para os resultados do ano. “O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos. Isso reflete nossa capacidade de entregar mais com menos recursos, otimizando projetos e antecipando operações que geram valor para nossos acionistas e para a sociedade. Nossos resultados não são apenas números: eles se traduzem em energia, geração de riqueza, empregos, impostos e retorno para a sociedade”, declarou.

Produção maior compensou preços menores

A principal alavanca do resultado foi o avanço consistente da produção. Em 2025, a Petrobras alcançou 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, consolidando um crescimento de 11% sobre 2024 e ficando acima do limite superior da meta estabelecida para o ano. Considerando a produção total de óleo e gás natural, a companhia chegou à marca de 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

Esse desempenho foi sustentado pela entrada em operação e pelo aumento de capacidade de importantes unidades no pré-sal e em áreas estratégicas da companhia. Entre os destaques estão o início das operações e a ampliação de capacidade dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, a manutenção do topo de produção do FPSO Sepetiba, além do ramp-up das plataformas Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão.

A Petrobras também atribuiu parte importante do resultado à maior eficiência operacional na UN-BS e em Búzios, um dos ativos mais produtivos da companhia. O avanço operacional reforça a centralidade do segmento de Exploração e Produção na estratégia corporativa da estatal.

Caixa robusto e disciplina de capital

Outro número de forte impacto foi a geração de caixa. Mesmo sob pressão internacional nos preços do petróleo, a Petrobras gerou R$ 200 bilhões de caixa operacional em 2025, demonstrando resiliência financeira e capacidade de execução.

O diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Fernando Melgarejo, afirmou que o balanço confirma a coerência da estratégia adotada pela companhia. “Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional. Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano. Continuamos a apresentar um fluxo de caixa robusto, apoiado por projetos de qualidade que ampliam a produção, com alto retorno e rápida geração de caixa. Essa combinação sólida cria valor e garante benefícios duradouros para a sociedade brasileira e para os nossos acionistas”, afirmou.

Além do lucro líquido contábil de R$ 110,1 bilhões, a Petrobras informou que, desconsiderando variação cambial e outros eventos exclusivos do período, o lucro líquido teria sido de R$ 100,9 bilhões. Já o EBITDA ajustado, também sem os eventos exclusivos, somou R$ 244,3 bilhões, ou US$ 43,8 bilhões.

A companhia ressaltou que a valorização do real frente ao dólar também influenciou positivamente o lucro líquido do exercício. Ao mesmo tempo, a redução das despesas operacionais ajudou a fortalecer o EBITDA, ampliando a eficiência financeira do grupo.

Investimentos avançam com foco em exploração e produção

Em 2025, a Petrobras investiu R$ 112,9 bilhões, o equivalente a US$ 20,3 bilhões. O montante ficou dentro da faixa de variação do guidance divulgado para o ano, com margem de mais ou menos 10%. Segundo a empresa, esse nível de investimentos reflete antecipações de entregas de projetos e aceleração física de unidades próprias destinadas aos campos de Búzios, Atapu e Sépia.

A maior parte dos recursos foi direcionada ao segmento de Exploração e Produção, que respondeu por cerca de 84% do total investido. A opção reforça a prioridade dada aos projetos com maior retorno econômico e maior capacidade de geração rápida de caixa.

Também houve avanço nas campanhas de perfuração de poços e recordes de interligações, num movimento que ajuda a explicar o crescimento expressivo da produção em 2025. O resultado mostra uma Petrobras mais focada em ativos de alto desempenho, especialmente no pré-sal, consolidando sua posição entre as grandes produtoras globais de petróleo em águas profundas.

Reservas, plataformas e refino reforçam sustentabilidade do portfólio

A Petrobras afirmou ter alcançado o melhor resultado dos últimos dez anos na incorporação de reservas, adicionando 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente. Com isso, o índice de reposição de reservas chegou a 175%, mesmo diante de uma produção recorde. A relação entre reservas provadas e produção, o indicador R/P, atingiu 12,5 anos.

No campo operacional, entraram em atividade em 2025 o FPSO Almirante Tamandaré e a P-78, no campo de Búzios, além do FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. Juntas, essas três unidades adicionaram 585 mil barris de óleo por dia de capacidade nominal de produção operada pela Petrobras.

No refino, o parque da companhia atingiu fator de utilização total de 91%, mantendo patamar elevado de uso dos ativos com segurança operacional. A produção de diesel, gasolina e querosene de aviação respondeu por 68% da produção total, evidenciando a estratégia de priorizar produtos de maior valor agregado.

Exportações batem recorde e reforçam presença internacional

As exportações de petróleo também tiveram desempenho histórico. A Petrobras registrou recorde anual de 765 mil barris por dia e novo recorde trimestral de 999 mil barris por dia no quarto trimestre de 2025. Segundo a companhia, esse resultado reflete tanto a elevada produção quanto o trabalho contínuo de desenvolvimento de mercados para os diferentes tipos de óleo comercializados pela estatal.

O avanço das exportações amplia a presença da Petrobras no mercado internacional e fortalece a geração de receitas, especialmente num momento em que a empresa busca combinar expansão produtiva com disciplina financeira.

Dividendos, tributos e retorno para a sociedade

O Conselho de Administração da Petrobras autorizou o envio à Assembleia Geral Ordinária da proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em remuneração aos acionistas referente ao quarto trimestre de 2025, de acordo com a Política de Remuneração aos Acionistas da companhia. Os pagamentos estão previstos para maio e junho de 2026.

Ao longo de 2025, a Petrobras distribuiu R$ 45,2 bilhões em proventos, dos quais R$ 17,6 bilhões foram destinados ao Grupo de Controle. A empresa também destacou sua contribuição direta para as finanças públicas. No texto divulgado, são mencionados R$ 277,6 bilhões em tributos, participações especiais e royalties à União, estados e municípios no último ano. Em outro trecho, a companhia informa o pagamento de R$ 227,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios em 2025.

Além disso, a estatal informou ter destinado cerca de R$ 2 bilhões a investimentos socioambientais voluntários e obrigatórios, patrocínios e doações ao longo do ano, reforçando o impacto de sua atuação para além dos resultados corporativos.

Petrobras consolida 2025 como ano de forte expansão

O balanço de 2025 mostra uma Petrobras financeiramente sólida, operacionalmente mais eficiente e com forte capacidade de investimento. Mesmo sob pressão da queda do Brent, a companhia ampliou a produção, bateu recordes de exportação, fortaleceu reservas, expandiu sua geração de caixa e manteve investimentos robustos.

Os números reforçam a importância estratégica da empresa para a economia brasileira, tanto pela geração de riqueza e empregos quanto pela arrecadação pública e pela distribuição de dividendos. Mais do que um resultado contábil expressivo, o desempenho de 2025 projeta uma Petrobras com musculatura operacional para sustentar crescimento e retorno em um setor marcado por volatilidade internacional.

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