Petrobras monitora impactos do conflito no Irã e aguarda antes de decidir sobre preços dos combustíveis
Possibilidade do fechamento do Estreito de Ormuz e incertezas cambiais entram no radar da estatal
Reuters – A Petrobras, estatal brasileira de petróleo, acompanha de perto os desdobramentos do conflito no Irã e deve observar o comportamento dos preços do petróleo ao longo da próxima semana antes de tomar qualquer decisão sobre os valores dos combustíveis. A informação foi repassada à Reuters por quatro pessoas familiarizadas com as avaliações internas da companhia.
Os preços globais do petróleo dispararam após ataques retaliatórios do Irã afetarem o transporte marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz. A escalada ocorreu depois de ofensivas realizadas no fim de semana por Israel e pelos Estados Unidos que resultaram no assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
O Brent chegou a subir até 13% nesta segunda-feira (2) e avançava cerca de 8% por volta do meio-dia no horário de Brasília, movimento que impulsionou as ações da Petrobras, que também exporta petróleo bruto.
"Será uma semana de observação que pode levar a uma decisão na próxima semana (sobre preços dos combustíveis), mas ainda há incertezas", afirmou uma das fontes, sob condição de anonimato.
Segundo as fontes, a Petrobras também precisa acompanhar o câmbio, componente relevante na fórmula de precificação dos combustíveis.
Um conflito prolongado pode provocar fuga de capitais dos Estados Unidos, e o Brasil poderia se tornar destino de parte desses recursos, explicou uma das pessoas ouvidas. Nesse cenário, um dólar mais fraco poderia compensar o aumento das cotações do petróleo.
A companhia também monitora os efeitos da guerra sobre instalações de produção de petróleo e combustíveis, além de possíveis gargalos logísticos decorrentes do conflito.
Estreito de Ormuz preocupa
Outra preocupação envolve a possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. A via nunca foi totalmente bloqueada, mas no fim de semana houve relatos de embarcações que interromperam deslocamentos e até foram alvo de ataques.
O bloqueio integral do estreito teria impacto significativo nos fluxos globais de petróleo e poderia exigir ampla reorganização das rotas marítimas. A Petrobras poderia ser beneficiada por um lado, mas também poderia precisar adquirir petróleo e derivados possivelmente mais caros de outras regiões.
A estatal importa diariamente volumes de petróleo para misturar com sua própria produção, fator que também exige atenção.
Ainda assim, o diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, afirmou que a empresa dispõe de alternativas e flexibilidade para operar de forma competitiva apesar do conflito no Oriente Médio.
"A Petrobras tem rotas alternativas fora da zona de conflito, o que nos dá segurança e custos competitivos para nossas operações, preservando nossas margens", declarou Schlosser à Reuters.
Ele não comentou possíveis alterações nos preços dos combustíveis.
Schlosser acrescentou que a maior parte das importações vem de fora da região em crise e que "as poucas que existem podem ser redirecionadas".


