PF abre novas frentes no caso Master e apura investimentos bilionários de fundos de estados e municípios
Operações no Amapá e no Rio de Janeiro fazem parte de apurações sobre aplicação de recursos previdenciários em Letras Financeiras do banco
247 - A Polícia Federal (PF) ampliou o cerco em torno do Banco Master ao avançar em diferentes frentes de investigação sobre a aplicação de recursos de fundos previdenciários estaduais e municipais na instituição financeira, que foi liquidada pelo Banco Central em novembro. As apurações miram aportes realizados por regimes próprios de previdência social, envolvendo cifras bilionárias direcionadas a títulos emitidos pelo banco. As informações são do jornal O Globo.
No Amapá, a PF realizou uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado (RPPS/AP). O foco está na aprovação e execução de investimentos feitos pela Amapá Previdência (Amprev) em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Batizada de Operação Zona Cinzenta, a ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara da Justiça Federal. Entre os alvos estão o diretor da Amprev, Jolcildo Lemos, além de integrantes do comitê de investimentos da autarquia.
De acordo com a apuração, os investigados teriam participado de votações que aprovaram a aplicação em Letras Financeiras do Banco Master em três reuniões realizadas em julho de 2024. O investimento levou a Amprev a alocar R$ 400 milhões em papéis emitidos pela instituição.
O aporte feito pela Amapá Previdência é o segundo maior entre 18 entidades estaduais e municipais que aplicaram recursos no Banco Master. O maior investimento, segundo o levantamento, foi feito pelo Rioprevidência, fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro, que aplicou cerca de R$ 970 milhões no banco.
No total, 18 entidades de regimes próprios de previdência social — sendo três estaduais e 15 municipais — direcionaram aproximadamente R$ 1,876 bilhão para Letras Financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Esses títulos, conforme apontado, não possuem garantia.
No Rio de Janeiro, a PF já havia deflagrado, em 23 de janeiro, a Operação Barco de Papel, também relacionada às investigações envolvendo o Banco Master. A ofensiva teve como alvo diretores do Rioprevidência e apura operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024.
Segundo as informações, a apuração no estado envolve nove operações que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pela instituição. Os recursos aplicados, conforme o levantamento, faziam parte do montante destinado ao pagamento de aposentadorias de servidores que ingressaram no serviço público na última década.
As investigações, no entanto, não se restringem ao Amapá e ao Rio. O caso ganhou dimensão nacional e já motivou a abertura de inquéritos por Ministérios Públicos em ao menos seis estados: Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.


