Banco Master: alvo da PF já foi tesoureiro de Alcolumbre
Diretor-presidente da previdência do Amapá é investigado pela PF por aplicações de quase R$ 400 milhões no Banco Master
247 - Um dos principais alvos da operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (6), o diretor-presidente da Amprev (Amapá Previdência), Jocildo Silva Lemos, já atuou como tesoureiro da campanha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e também reconheceu publicamente que chegou ao comando da autarquia por indicação do senador. A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo investimentos feitos pela previdência estadual no Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro, informa a Folha de São Paulo.
A ofensiva da PF, batizada de “Zona Cinzenta”, tem como foco a Amprev, responsável pela gestão do regime próprio de previdência do Amapá. Além de Jocildo Silva Lemos, também são alvos da operação Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, integrantes do comitê de investimentos do órgão.
Lemos foi nomeado para a presidência da Amprev em 2023 pelo governador Clécio Luís (União Brasil). Ele assumiu a função após indicação direta do presidente do Senado. Em um evento público realizado em 2024, o dirigente da autarquia chegou a agradecer publicamente ao senador: “Senador Davi Alcolumbre, que me convidou para ser o presidente da Amapá Previdência".
A Folha informou ter procurado as pessoas citadas no caso, mas ainda não havia recebido retorno até a publicação do material.
Embora a operação tenha como alvo a direção e integrantes do comitê de investimentos, a estrutura da Amprev inclui também o irmão do senador, Alberto Alcolumbre, que ocupa o cargo de conselheiro fiscal. Ele, no entanto, não é alvo da investigação.
De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da operação é esclarecer possíveis irregularidades na administração de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Amapá. Conforme dados do balanço de 2024 — o último anual divulgado — o fundo previdenciário do estado possuía ativo circulante de R$ 10 bilhões, com R$ 8,3 bilhões concentrados em investimentos e aplicações temporárias de curto prazo.
Apesar do volume expressivo de recursos, o patrimônio líquido do fundo apresentava um quadro deficitário. Segundo o levantamento, após descontar passivos e obrigações de pagamento a servidores no curto e no longo prazo, o fundo registrava déficit de R$ 387 milhões.
A investigação concentra-se em aplicações realizadas em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. A PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara de Justiça Federal, no município de Macapá. Os investigados podem responder por gestão temerária e gestão fraudulenta.
Documentos reunidos no inquérito apontam que, em menos de 20 dias, foram aprovadas e executadas três aplicações sucessivas em letras financeiras do Master, que somam quase R$ 400 milhões. As decisões teriam sido tomadas durante três reuniões realizadas em julho de 2024.
A operação foi articulada por Jocildo Silva Lemos, que teria ignorado alertas do MPF (Ministério Público Federal) e do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre investigações relacionadas a fraudes. Ainda de acordo com a reportagem, dois integrantes do Comitê de Investimentos chegaram a apresentar ressalvas sobre a compra dos títulos emitidos pelo banco de Daniel Vorcaro, mas o presidente da Amprev teria minimizado os alertas.


