Vorcaro enviou 'emenda Master' a Ciro Nogueira, em 'convergência de interesses ilícitos', diz PF
Investigação da Polícia Federal sustenta que banqueiro buscava influenciar propostas legislativas em áreas ligadas a seus negócios
247 - A Polícia Federal (PF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro encaminhou projetos de lei ao gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em uma atuação que os investigadores classificaram como uma “convergência de interesses ilícitos, orientada pelo benefício mútuo”. As informações foram divulgadas após a retirada do sigilo de documentos da investigação pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Segundo a apuração, Vorcaro teria buscado exercer influência sobre propostas legislativas com potencial de impactar diretamente setores de interesse de seus negócios. Entre os temas citados pela PF estão a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para investidores, a regulamentação do mercado de carbono no Brasil e projetos relacionados à transição energética.
De acordo com os investigadores, a relação entre o banqueiro e o senador envolvia uma atuação coordenada para atender interesses comuns. A PF sustenta que Ciro Nogueira utilizaria sua posição no Senado Federal para defender pautas de interesse de Vorcaro, enquanto o empresário ofereceria contrapartidas consideradas indevidas.
Em trecho da representação policial tornada pública nesta terça-feira (16), a PF descreve a dinâmica investigada:
“De um lado, CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO atuaria no âmbito do Senado Federal, valendo-se de sua posição institucional para exercer influência política e defender os interesses do banqueiro. De outro, VORCARO ofereceria vantagens indevidas, materializadas, entre outras formas, no pagamento periódico de valores (‘mesada’), na aquisição de participações societárias com expressivo deságio, bem como no custeio de viagens internacionais de elevado padrão e outros benefícios econômicos.”
A investigação aponta que os supostos benefícios concedidos ao senador incluiriam pagamentos regulares, operações societárias em condições favoráveis e o custeio de viagens internacionais de alto padrão. A PF considera que esses elementos reforçam a hipótese de uma relação baseada em troca de favores e vantagens econômicas.



