HOME > Brasil

Ciro Nogueira barra apoio da federação PP-União Brasil a Flávio Bolsonaro

Resistência do presidente do PP e indefinição sobre vice ampliam distância entre federação e projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro

Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Isac Nóbrega/PR)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), tem bloqueado, até o momento, qualquer avanço nas negociações para que a federação formada por PP e União Brasil apoie a eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições de 2026. A informação foi divulgada pelo blog do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.

A principal razão para a resistência de Ciro estaria relacionada aos desdobramentos da operação da Polícia Federal realizada contra o senador piauiense no início de maio. Pessoas próximas ao dirigente do PP afirmam que ele considerou insuficiente a postura de solidariedade adotada por Flávio Bolsonaro diante das investigações.

Na ocasião, Flávio classificou as acusações contra Ciro como “graves”. Dias depois, quando vieram a público áudios em que o senador do PL solicita recursos ao empresário Daniel Vorcaro, Ciro reagiu publicamente. “Se (Flávio) for culpado, tem que pagar exemplarmente”, declarou.

Como PP e União Brasil integram uma federação partidária, as decisões eleitorais precisam ser construídas de forma conjunta. Embora o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, não apresente objeções a uma aliança com Flávio Bolsonaro, a posição de Ciro Nogueira tem sido determinante para impedir a formalização de qualquer acordo com o PL.

Outro fator que dificulta a aproximação é a ausência de conversas formais entre a pré-campanha de Flávio Bolsonaro e os dirigentes das duas legendas. Segundo a CNN Brasil, até agora não houve procura por parte da equipe do senador para discutir uma eventual composição eleitoral.

A definição sobre o candidato a vice-presidente na chapa do PL também contribui para o distanciamento entre as siglas. O partido deixou a decisão para o mês de julho, enquanto cresce dentro da federação a avaliação de que os bolsonaristas pretendem lançar uma chapa formada exclusivamente por integrantes da própria legenda.

Nesse contexto, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro tem defendido o nome da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) para ocupar a vice na eventual candidatura de Flávio. A perspectiva de uma composição “puro-sangue” reduz ainda mais o interesse da federação em integrar a coalizão.

Além das questões políticas, dirigentes do PP e do União Brasil acompanham atentamente o cenário eleitoral. Segundo a reportagem, a avaliação predominante é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece atualmente como favorito na disputa presidencial.

Pesquisas internas da federação, porém, indicam que Flávio Bolsonaro manteve parte significativa de seu capital político mesmo após a repercussão dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro. Os levantamentos apontariam uma perda inicial de cerca de cinco pontos percentuais, com recuperação de aproximadamente um ponto posteriormente.

Lideranças da federação acreditam que o senador do PL ainda possui margem para recuperar apoio durante a campanha, especialmente porque Lula deverá ser alvo dos demais adversários ao longo da corrida eleitoral. Apesar disso, integrantes do grupo reconhecem que as chances de uma aliança seriam maiores se o cenário político permanecesse como antes da repercussão do caso conhecido internamente como “Dark Horse”.

Diante desse quadro, a tendência predominante dentro da federação PP-União Brasil é a adoção de uma postura de neutralidade na disputa presidencial de 2026.

A questão também envolve o tempo de propaganda eleitoral. Sem o apoio da federação, uma chapa exclusivamente do PL teria, segundo cálculos baseados nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 35% do tempo de rádio e televisão, contra 49% atribuídos à candidatura de Lula. Em um cenário de coalizão com PP e União Brasil, Flávio Bolsonaro passaria a contar com aproximadamente 57% do tempo de exposição, enquanto o petista teria 32%.

Artigos Relacionados