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PF aponta transferência suspeita de R$ 9 mi para o pai de Vorcaro e risco sistêmico ao sistema financeiro no caso Master

Relatórios financeiros sustentam apuração sobre esquema envolvendo banco e fundos

Banco Master (Foto: Divulgação)

s247 - A Polícia Federal (PF) identificou fortes indícios de desvio de recursos e apontou risco sistêmico ao sistema financeiro brasileiro no âmbito do chamado caso Master, investigação que envolve o banco controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As conclusões constam de relatórios de inteligência financeira (RIFs) analisados pelos investigadores. Segundo o jornal O Globo, os RIFs apontam que empresas com capital social considerado ínfimo teriam cedido direitos creditórios milionários a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ligados ao Banco Master, em operações classificadas como atípicas.

Relatórios da PF apontam risco ao sistema financeiro

A Polícia Federal avalia que o uso recorrente dessas estruturas financeiras sustenta a suspeita de um esquema organizado de fraudes, com potencial de comprometer o funcionamento do sistema financeiro. Ao autorizar a operação, o ministro Dias Toffoli,do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que “há fortes indícios de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro”.

Transferência suspeita envolve pai de Daniel Vorcaro

Entre as movimentações analisadas, os relatórios identificaram uma transferência de R$ 9 milhões feita por um intermediário para Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos esta semana, em uma nova fase da investigação.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. Segundo o texto, “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”. A defesa acrescentou que “o Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado” e reiterou “confiança no devido processo legal”.

MPF vê indícios de organização criminosa

O Ministério Público Federal em São Paulo sustenta que os fatos apurados indicam a existência de uma organização criminosa estruturada desde a década passada. Para os procuradores, “o histórico juntado pela Polícia Federal a respeito de anteriores investigações serve como indício da existência do crime de organização criminosa estruturada”.

O MPF destacou ainda que “os fatos sob apuração não foram fruto de uma situação ocasional de descontrole”, mas revelam planejamento e escalada das atividades criminosas dos envolvidos.

Alcance da investigação

Embora o Ministério Público tenha defendido que a investigação fosse conduzida pela Justiça Federal de São Paulo, Toffoli entendeu que o caso possui alcance mais amplo do que o da Operação Compliance Zero, já sob sua relatoria. O ministro ressaltou um contexto de aparente exploração sistemática de vulnerabilidades do mercado de capitais e dos mecanismos de regulação.

A nova fase da operação concentra-se nas relações entre o Banco Master e fundos de investimento administrados pela gestora Reag. Ao todo, foram bloqueados e sequestrados bens que somam R$ 5,7 bilhões, com o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em diferentes estados.

Crise de liquidez e impacto no mercado

O Banco Master ganhou espaço no mercado ao oferecer certificados de depósito bancário com remuneração de até 140% do CDI, o que atraiu um grande número de investidores. Atualmente, cerca de 1,6 milhão de clientes aguardam ressarcimento por meio do Fundo Garantidor de Créditos, em um processo que envolve um rombo estimado em R$ 41 bilhões.

As investigações indicam que a instituição enfrentou um grave descompasso entre obrigações de curto prazo e aplicações de longo prazo. Desde 2024, o Banco Central vinha monitorando a situação do banco e apontava uma crise aguda de liquidez, caracterizada pela incapacidade de honrar compromissos financeiros.

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