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PF avalia usar difusão prateada da Interpol para rastrear patrimônio de Daniel Vorcaro no exterior

Ferramenta internacional voltada à localização de bens pode reforçar investigações da Operação Compliance Zero contra o ex-banqueiro

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)
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247 - A Polícia Federal (PF) estuda recorrer a um mecanismo internacional da Interpol para ampliar a busca por bens e ativos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fora do Brasil. A medida envolve a possível inclusão do investigado na chamada difusão prateada, ferramenta criada para auxiliar autoridades na localização de patrimônio ligado a suspeitos de crimes em diferentes países.

Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, a iniciativa já foi discutida internamente pela PF e chegou a ser tema de conversas com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza. A avaliação dos investigadores é de que o instrumento poderá fortalecer os esforços para identificar e rastrear eventuais ativos mantidos por Vorcaro no exterior.

A movimentação ocorre no contexto das investigações da Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades envolvendo o ex-banqueiro e pessoas ligadas ao seu grupo. De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, a Polícia Federal também já teria sinalizado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o interesse em utilizar mecanismos de cooperação internacional para localizar bens fora do país.

Até o momento, no entanto, nenhum pedido formal de inclusão na difusão prateada foi apresentado às autoridades competentes.

O que é a difusão prateada da Interpol

Lançada em 2025 e ainda em fase piloto, a difusão prateada foi criada pela Interpol para ampliar a cooperação internacional no rastreamento de patrimônios e recursos financeiros associados a investigados. O modelo segue lógica semelhante à da difusão vermelha — utilizada para comunicar ordens de prisão internacional —, mas com foco específico na localização de bens e ativos.

Caso a PF formalize o pedido, será necessário indicar os países onde há suspeitas de que Vorcaro possua patrimônio. A autorização para a inclusão dependeria de decisão do ministro André Mendonça, procedimento semelhante ao adotado em solicitações relacionadas à difusão vermelha.

Uma vez emitida a difusão prateada, as autoridades dos países integrantes da Interpol podem iniciar diligências para identificar bens vinculados à pessoa investigada. Dependendo da legislação local, os órgãos responsáveis podem informar às autoridades brasileiras a localização dos ativos ou até adotar medidas de bloqueio.

Cooperação entre PF e Banco Central

Paralelamente ao avanço das investigações, a Polícia Federal vem trocando informações com o Banco Central. A autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro e designou a EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante da instituição.

Desde então, a empresa tem atuado judicialmente para localizar e tentar bloquear bens e ativos relacionados ao banco, especialmente em situações nas quais identifica possíveis desvios que teriam beneficiado Vorcaro e pessoas de seu círculo de relacionamento.

A eventual utilização da difusão prateada é vista pelos investigadores como mais uma frente de cooperação internacional para ampliar o alcance das apurações e facilitar a identificação de patrimônio fora do território brasileiro.

A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre o assunto.

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