PF convoca ex-executivos do Master e do BRB em inquérito
Novos depoimentos buscam esclarecer suspeitas na venda de carteiras de crédito ao banco público do DF
247 - A Polícia Federal agendou uma nova rodada de depoimentos no inquérito que investiga suspeitas de crimes financeiros relacionados à venda do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). As oitivas estão previstas para ocorrer entre o fim de janeiro e o início de fevereiro e fazem parte de uma iniciativa da própria PF para aprofundar a apuração sobre a negociação que envolveu carteiras de crédito consignado avaliadas em R$ 12 bilhões.
Entre os convocados estão o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima, o ex-diretor Luiz Antônio Bull, o ex-diretor financeiro do BRB Dario Oswaldo Garcia Junior e o superintendente de operações financeiras do banco público, Robério Mangueira. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi intimado novamente e deverá prestar um segundo depoimento no âmbito da investigação.
O objetivo da Polícia Federal é esclarecer a participação individual de cada um dos executivos no processo de venda das chamadas carteiras de crédito consignado consideradas irregulares. Os investigadores buscam compreender como se deu a estruturação do negócio, as decisões internas e os fluxos financeiros envolvidos na operação entre as duas instituições.
Até agora, a PF ouviu apenas três pessoas no inquérito: o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Esses depoimentos ocorreram na segunda-feira (30), em diligência determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Ao final das oitivas, os investigadores promoveram uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
Durante seu depoimento, Daniel Vorcaro fez críticas à atuação do Banco Central e afirmou que o Banco Master “honrou com todos os compromissos financeiros que tinha”. Já Paulo Henrique Costa reconheceu que o BRB ainda não conseguiu recuperar cerca de R$ 2 bilhões dos valores aportados na operação com o Banco Master.
A equipe de investigação também analisa os materiais apreendidos na Operação Compliance Zero, deflagrada na terça-feira (18 de novembro). A expectativa é que, até o final de janeiro, os dados extraídos de telefones celulares e outros dispositivos já tenham sido periciados, permitindo que essas informações sejam utilizadas para confrontar os investigados nos próximos depoimentos.
O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal após a Polícia Federal apreender, na residência de Daniel Vorcaro, um documento que faz menção a um deputado federal. A descoberta levou à remessa do caso à Corte, ampliando o escopo institucional da apuração sobre a operação envolvendo o Banco Master e o BRB.



