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PF deflagra operação contra venda ilegal de canetas emagrecedoras

Operação heavy pen mira redes criminosas que atuam na falsificação, importação irregular e comércio clandestino de medicamentos para emagrecimento

PF deflagra operação contra venda ilegal de canetas emagrecedoras (Foto: Divulgação/Arquivo/PF)

247 - A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7), a operação Heavy Pen para combater a venda ilegal de canetas emagrecedoras no Brasil, com foco na falsificação, produção clandestina e distribuição irregular desses medicamentos. A ação ocorre em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e busca desarticular organizações criminosas envolvidas em toda a cadeia desses produtos, desde a importação até a comercialização.

A investigação concentra-se em substâncias amplamente utilizadas no tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida — presentes em medicamentos conhecidos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — além de compostos como a retatrutida, que ainda não possui autorização para venda no país.

A operação mobiliza agentes em 11 estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina. Ao todo, estão sendo cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além de 24 ações de fiscalização em estabelecimentos suspeitos.

Entre os alvos estão laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que atuam fora das normas sanitárias, com atividades que incluem produção, fracionamento e comercialização de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida. As autoridades investigam a atuação dessas estruturas na disseminação de produtos injetáveis ilegais, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

As apurações também envolvem os chamados insumos farmacêuticos ativos (IFAs), que são a base para a produção desses medicamentos. No caso da tirzepatida, por exemplo, a substância é utilizada na formulação das canetas aplicadas por pacientes, inclusive em farmácias de manipulação.

Diante do avanço desse mercado irregular, a Anvisa sinalizou que pretende endurecer as regras para a manipulação desses medicamentos. Uma atualização da norma vigente está em revisão e deve ser divulgada no próximo dia 15 de abril.

Na véspera da operação, a agência reguladora apresentou um diagnóstico sobre a circulação de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, utilizados tanto no controle do diabetes quanto no emagrecimento, apontando preocupações com o uso e a comercialização fora dos padrões regulatórios.

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