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PF diz ao STF que não recebeu imagens das câmeras corporais de PMs que participaram da chacina que deixou 122 mortos no RJ

Determinação para o envio das gravações foi feita em março pelo ministro Alexandre de Moraes

PF diz ao STF que não recebeu imagens das câmeras corporais de PMs que participaram da chacina que deixou 122 mortos no RJ (Foto: Reprodução/TV Globo )

247 - A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (1º) que ainda não recebeu as imagens das câmeras corporais de policiais militares que participaram da chacina realizada em outubro de 2025, no Rio de Janeiro. A ação, considerada a mais letal da história do país, resultou em 122 mortes. As informações são do SBT News.

A determinação para o envio das gravações havia sido feita em março pelo ministro Alexandre de Moraes, que ordenou ao governo do estado do Rio de Janeiro o encaminhamento do material em mídia física à Polícia Federal. Segundo ofício assinado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, até o momento foram recebidas apenas imagens de câmeras corporais de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil.

O documento destaca que "não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que atuaram no massacre com efetivo significativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal".

A PF informou ainda que recebeu cerca de 400 horas de gravações da Polícia Civil. Uma equipe com dez peritos federais foi mobilizada para analisar o material, com prazo estimado de 90 dias para conclusão. O diretor-geral solicitou mais tempo ao Supremo, alegando ser inviável finalizar a perícia no prazo inicial de 15 dias. Segundo ele, a eventual entrega das imagens da Polícia Militar pode ampliar esse período.

Relatório aponta irregularidades

Um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à Organização dos Estados Americanos, apontou indícios de execuções extrajudiciais, uso excessivo da força e racismo estrutural durante a chacina. O documento foi elaborado após visita ao Brasil entre os dias 1º e 5 de dezembro de 2025.

A comissão ouviu autoridades, especialistas, organizações da sociedade civil e familiares das vítimas, além de realizar inspeções nas áreas onde ocorreram os confrontos. O relatório registra denúncias de tratamento indigno de pessoas mortas, falhas na preservação das cenas de crime e possíveis violações de direitos fundamentais.

De acordo com o documento, houve "graves discrepâncias" entre os objetivos anunciados pelo governo e os resultados da ação. Embora a ação tivesse como finalidade cumprir mandados judiciais, apenas 15 das 117 pessoas mortas eram alvos dessas ordens.

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