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CIDH pede que operação que deixou 122 mortos no Rio seja investigada como chacina

Análise da Comissão Interamericana de Direitos Humanos aponta falhas e indica inconsistências relevantes na condução da operação

Imagem de drone mostra corpos levados a praça no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

247 - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirmou que a operação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em 122 mortes, deve ser investigada como uma possível chacina. A ação, chamada Operação Contenção, mobilizou cerca de 2.500 agentes de segurança e durou aproximadamente 14 horas.

Segundo reportagem do UOL, o relatório do organismo internacional classificou a ação como a “mais letal registrada na história recente do país”. A operação foi planejada durante dois meses e tinha como objetivo conter o avanço da facção criminosa Comando Vermelho na região.

Relatório aponta falhas e inconsistências

A análise apresentada pela CIDH indica inconsistências relevantes na condução da operação. De acordo com os dados citados no relatório, entre os 117 civis mortos durante a ação, apenas 15 estavam incluídos nas ordens judiciais que fundamentaram a intervenção policial, conforme informações do próprio governo do Rio de Janeiro.

O documento também aponta a ausência de estratégias claras de rendição e destaca falhas na proteção oferecida aos moradores das comunidades e aos próprios policiais envolvidos na operação.

Estratégia de segurança é questionada

Para a comissão, os resultados da operação reforçam a avaliação de que o atual modelo de enfrentamento ao crime tem eficácia limitada. O relatório destaca que a recomposição de redes criminosas após a ação indica que intervenções com alto nível de letalidade não produzem ganhos duradouros na segurança pública.

Nesse contexto, a CIDH afirma que “evidências acumuladas demonstram que maior letalidade estatal não se traduz em maior segurança”.

Recomendações de mudança na política pública

A comissão defende uma “mudança profunda” na política de segurança adotada no país. Especialistas citados no relatório apontam a necessidade de políticas voltadas à inclusão social, à prevenção da violência e ao fortalecimento da justiça.

Segundo o documento, tais medidas são essenciais para “romper o ciclo histórico de morte, encarceramento e impunidade que marca a experiência de favelas e periferias urbanas no Brasil”.

Entre as recomendações apresentadas estão o aumento de investimentos em investigação criminal, a adoção de estratégias que priorizem a prevenção de crimes e mudanças na legislação para garantir a “federalização automática da investigação de casos emblemáticos de chacinas (massacres) policiais”.

Governo do Rio defende operação

Procurado pela reportagem, o governo do Rio de Janeiro afirmou, em nota, que “a preservação da vida de moradores foi preocupação central do planejamento” da operação.

O Palácio Guanabara também informou que enviará representantes para apresentar esclarecimentos e defender a atuação das forças de segurança durante audiência pública da CIDH.

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