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PF deve abrir até três inquéritos sobre "Dark Horse" nos próximos dias

Investigações apuram transferência de R$ 61 milhões ligada a Flávio Bolsonaro, possível financiamento de Eduardo Bolsonaro e uso de emendas parlamentares

Cartaz do filme Dark Horse- Jair Bolsonaro-Flávio Bolsonaro-Daniel Vorcaro (Foto: Dark Horse-Flávio Bolsonaro-Jair Bolsoanro (Foto: Divulgação/Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Flávio Bolsonaro/Adriano Machado/Reuters/Daniel Vorcaro/Reprodução/ Montagem/IA Dall-e))
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247 –  A Polícia Federal (PF) deve instaurar, nos próximos dias, até três inquéritos relacionados ao financiamento do filme "Dark Horse", que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. As apurações envolvem os repasses de R$ 61 milhões feitos pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o possível destino de parte desses recursos para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e o uso de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção do longa. As informações foram publicadas pelo G1 nesta sexta-feira (26).

A Polícia Federal aguardava a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o ministro responsável pela relatoria do caso antes de formalizar as investigações.

O primeiro inquérito deverá concentrar-se na origem e no destino dos R$ 61 milhões atribuídos a Daniel Vorcaro. O montante foi revelado em maio pelo site The Intercept Brasil, com base em mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e Flávio Bolsonaro. A Polícia Federal ainda pretende confirmar oficialmente o valor movimentado.

De acordo com a investigação, os recursos chegaram ao fundo que financia o filme "Dark Horse", nos Estados Unidos, por intermédio da empresa Entre Investimentos e Participações, apontada pelos investigadores como integrante do ecossistema de fraudes relacionado ao Banco Master.

Uma das principais linhas de apuração será verificar se os repasses ocorreram em troca de algum benefício ou favor político prestado pelo senador Flávio Bolsonaro ou por integrantes de seu grupo político.

Mendonça será o relator

A definição da relatoria ocorreu após o Supremo estabelecer que o ministro André Mendonça ficará responsável pelo inquérito envolvendo os repasses feitos por Daniel Vorcaro.

A escolha ocorreu após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar que o caso fosse distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. O parlamentar argumentava que Moraes deveria conduzir a investigação porque havia suspeitas de que parte dos recursos pudesse ter sido utilizada para financiar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Na semana passada, Alexandre de Moraes foi o relator da ação penal que resultou na condenação de Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo, em razão de sua atuação nos Estados Unidos.

Com a definição de André Mendonça como relator, a expectativa entre investigadores da Polícia Federal é que a abertura dos inquéritos sobre os repasses e o destino do dinheiro ocorra nos próximos dias.

Investigação sobre Eduardo Bolsonaro dependerá de cooperação internacional

Segundo policiais ouvidos pelo G1, a apuração sobre um eventual uso dos recursos para custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos tende a ser mais complexa.

Isso porque a investigação poderá exigir mecanismos de cooperação jurídica internacional com autoridades norte-americanas, incluindo pedidos para obtenção de informações protegidas por sigilo.

Emendas parlamentares também serão investigadas

Uma terceira frente de investigação trata da destinação de emendas parlamentares para entidades vinculadas à produtora do filme "Dark Horse". Nesse caso, a relatoria ficará sob responsabilidade do ministro Flávio Dino.

Desde 15 de maio, Dino conduz uma apuração preliminar sobre o tema, etapa anterior à abertura formal de um inquérito. Conforme fontes da Polícia Federal ouvidas pelo G1, a tendência é que essa investigação evolua para um procedimento criminal.

As suspeitas recaem sobre a destinação de emendas parlamentares por políticos do PL, entre eles os ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, além dos deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS), para entidades ligadas à empresária Karina da Gama, responsável pela produtora Go Up.

O deputado Mario Frias (PL-SP), que participou diretamente da produção da cinebiografia, também é citado na investigação por contratos firmados com empresas pertencentes à empresária utilizando recursos da Câmara dos Deputados.

Karina da Gama também é responsável por entidades que receberam verbas públicas, entre elas a Academia Nacional de Cultura (ANC), contemplada com R$ 2,6 milhões em chamadas "emendas PIX" destinadas por parlamentares do PL.

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