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Planalto avalia acionar TSE após polêmica no carnaval

Ministro diz que críticas foram impulsionadas e fala em oportunismo eleitoral

Desfile da Acadêmicos de Niterói (Foto: Divulgação)

247 - O Palácio do Planalto decidiu reagir à ofensiva de setores da oposição após o desfile da Acadêmicos de Niterói, no carnaval do Rio de Janeiro, que incluiu referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Integrantes do governo avaliam que houve articulação para ampliar críticas nas redes sociais, com possível impulsionamento pago de conteúdos contra a gestão federal.

De acordo com o jornal O Globo, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, afirmou que postagens críticas ao governo e a Lula estariam sendo impulsionadas de forma coordenada. Diante desse cenário, a direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) analisa a possibilidade de ingressar com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ministro fala em oportunismo eleitoral

A controvérsia teve início após a apresentação da ala “Neoconservadores em conserva”, que levou à Marquês de Sapucaí famílias retratadas dentro de latas de conservas. Parlamentares e partidos ligados à bancada evangélica passaram a divulgar imagens do trecho nas redes sociais, associando o conteúdo ao governo federal.

Para Sidônio Palmeira, houve a construção de um debate artificial. “É uma coisa impulsionada feita intencionalmente. É oportunismo eleitoral”, declarou. Ele acrescentou que caberá ao PT adotar eventuais medidas judiciais. “Tem que averiguar, tem que ir atrás para identificar os responsáveis por isso. Isso é crime eleitoral.”

Questionado sobre como identificou o suposto impulsionamento, o ministro respondeu: “Muitas postagens iguais. A coisa mais fácil é identificar impulsionamento.”

Planalto nega interferência no desfile

Sidônio também afirmou que o governo não interferiu no conteúdo apresentado pela escola de samba. “O governo não teve interferência nenhuma na escola de samba. A única coisa que o governo teve interferência foi junto aos ministros para não saírem para evitar problema eleitoral.”

Ele ainda negou que o Planalto tenha realizado pesquisas para medir o impacto político do desfile. “O governo não tem pesquisa porque não faz pesquisa de questão eleitoral. Não faz e não fez agora.”

Segundo um integrante da executiva nacional do PT, o partido realiza um levantamento para identificar quais publicações foram impulsionadas e avaliar a necessidade de acionar a Justiça Eleitoral. De acordo com esse dirigente, é preciso analisar quem estaria por trás da mobilização nas redes, considerada internamente uma tentativa de desgaste em ano eleitoral.

Reação de frentes parlamentares

A participação de Lula e de integrantes do governo na Sapucaí dividiu opiniões entre aliados. Parte do entorno presidencial avaliou que a presença poderia gerar repercussões políticas, ainda que o Planalto não tivesse envolvimento na elaboração do desfile.

Após a apresentação, a frente parlamentar evangélica e a frente católica divulgaram notas criticando o teor da ala exibida e cobrando responsabilização.

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que atua na interlocução com o segmento evangélico, também se manifestou nas redes sociais. Ela criticou o conteúdo apresentado, mas afastou relação do governo com o desfile. “A retratação pejorativa e grotesca de uma escola de samba em relação às famílias evangélicas, não faz jus ao respeito, carinho e consideração com o que o presidente Lula sempre tratou o povo evangélico. É preciso ter respeito à fé, algo que Lula sempre demonstrou ter”, escreveu.

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