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Polícia Federal conduz sete inquéritos ligados ao Banco Master

Apurações avançam sobre aportes de previdências estaduais e municipais, enquanto casos centrais seguem no STF sob relatoria de Dias Toffoli

Logo do Banco Master na sede da empresa em São Paulo 18/11/2025 REUTERS/Amanda Perobelli (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 – A Polícia Federal (PF) já instaurou sete inquéritos para apurar um suposto esquema de fraude envolvendo o Banco Master e operações correlatas, com investigações distribuídas entre São Paulo, Rio de Janeiro e Amapá, além dos procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram publicadas pelo Valor Econômico.

A tendência, segundo as apurações em curso, é que o número de frentes investigativas aumente com a nova linha que mira aportes feitos por fundos de Estados e municípios. A mais recente apuração que veio à tona trata de investimentos realizados pela Amapá Previdência (Amprev) no Master, com alocação investigada de R$ 400 milhões em papéis do banco.

Nova frente no Amapá e operação “Zona Cinzenta”

Na sexta-feira, a PF deflagrou a Operação Zona Cinzenta para investigar o aporte relacionado à Amprev. O caso se insere no avanço das apurações sobre a participação de regimes próprios de previdência social (RPPS) em investimentos associados ao Banco Master, num cenário em que órgãos de controle e investigação apuram suspeitas ligadas à origem, à estrutura e ao lastro de determinados papéis.

Além do Amapá, as investigações se espalham por diferentes praças e instâncias, com procedimentos sob responsabilidade de superintendências regionais e também de áreas especializadas em Brasília. Ao mesmo tempo, os casos mais sensíveis seguem concentrados no STF, por envolverem autoridades com prerrogativa de foro ou potenciais conexões que ainda estão sob avaliação do relator.

Os casos centrais no STF e a possibilidade de desmembramento

No Supremo, os dois inquéritos considerados mais relevantes têm relação direta com suspeitas envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Um deles investiga a emissão de títulos sem lastro que teriam sido repassados pelo Master ao BRB. O outro apura se empresas com capital social considerado “ínfimo” teriam cedido direitos creditórios de valores milionários a fundos de investimento vinculados ao Master.

As apurações no STF, ainda de acordo com o que foi reportado, começaram em São Paulo e no Distrito Federal. O destino desses procedimentos pode mudar parcialmente, caso o ministro Dias Toffoli — relator — entenda que a Corte deve permanecer atuando apenas na investigação de autoridades com foro, como deputados e senadores. Nesse cenário, parte do material pode retornar à primeira instância, com São Paulo e o DF retomando trechos específicos das apurações.

Conforme o Valor informou em janeiro, há tendência de “desmembramento” dos casos. Isso significa que as suspeitas envolvendo agentes políticos com foro privilegiado permaneceriam no Supremo, enquanto os demais elementos seriam remetidos à Justiça de primeira instância. Os dois casos no STF são investigados no âmbito da operação Compliance Zero.

Influenciadores, “fake news” e a decisão pendente no Supremo

Além dos inquéritos principais, ainda está em definição o destino de uma investigação que apura possível contratação de influenciadores digitais para atacar autoridades e instituições responsáveis pela liquidação do Master. Dias Toffoli solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir se o caso deve seguir no STF ou ser enviado à primeira instância.

Essa apuração é conduzida pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor), em Brasília. Caso deixe o STF, a tendência indicada é que o procedimento passe a tramitar na Justiça de Brasília.

A defesa de Daniel Vorcaro, citado como banqueiro ligado ao Master, negou qualquer vínculo com esse tipo de atuação digital. Em resposta ao Valor, afirmou que ele “não tem qualquer relação com a contratação ou difusão de ‘fake news’, tampouco com campanhas digitais de difamação contra autoridade pública”.

Rio, São Paulo e outras frentes: Rioprevidência, BRB e Grupo Fictor

No Rio de Janeiro, a Operação Barco de Papel apura investimentos de quase R$ 1 bilhão no Master. A aplicação investigada foi realizada pela Rioprevidência, fundação dos servidores estaduais. Em paralelo, a PF abriu dois inquéritos adicionais.

Um deles é conduzido pelo Dicor e apura suspeitas de gestão fraudulenta no BRB. O outro mira o Grupo Fictor, sob suspeitas de gestão fraudulenta, apropriação financeira indébita, emissão de títulos sem lastro equiparados a valor mobiliário, além de operação de instituição financeira sem autorização. Esse caso tramita na Superintendência Regional da PF em São Paulo.

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