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Pré-candidatos ao Planalto intensificam críticas ao STF e propõem mudanças na Corte

A discussão ganhou força após os desdobramentos do chamado “caso Master”

Sessão plenária do STF - 16/04/2026 (Foto: Luiz Silveira/STF)

247 - Em meio ao desgaste recente do Supremo Tribunal Federal (STF), pré-candidatos à Presidência da República passaram a intensificar discursos em defesa de mudanças na Corte, seja como estratégia de proteção política ou como forma de capitalizar eleitoralmente a crise institucional. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo.

A discussão ganhou força após os desdobramentos do chamado “caso Master”, que levantou suspeitas éticas envolvendo integrantes do Judiciário e ampliou a exposição pública do Supremo. Nesse cenário, propostas que vão desde a criação de mandatos para ministros até alterações no processo de indicação passaram a integrar o debate político com maior intensidade.

Entre os nomes no centro da disputa estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Flávio Bolsonaro e o governador de Goiás Ronaldo Caiado, além de outros pré-candidatos que têm adotado diferentes estratégias diante da crise.

No campo da oposição, o tom é mais incisivo. Flávio Bolsonaro, por exemplo, transformou o impeachment de ministros do STF em uma de suas principais bandeiras políticas. O discurso está diretamente ligado à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista. Ainda assim, aliados observam que a intensidade das críticas diminuiu após a conversão da pena em prisão domiciliar.Outro nome que ganhou projeção ao confrontar o Supremo foi o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. O político ampliou sua presença nas redes sociais ao criticar decisões da Corte, especialmente em vídeos da série “Os intocáveis”. O embate com o STF, inclusive, impulsionou significativamente seu crescimento digital recente.

Já no campo governista, a estratégia é mais moderada. O Partido dos Trabalhadores pretende incluir em seu programa diretrizes para a criação de normas de conduta para tribunais superiores. A proposta segue linha semelhante à defendida pelo presidente do STF, Edson Fachin, e busca estabelecer padrões mais claros de ética, transparência e responsabilidade institucional.

O próprio Lula tem adotado uma postura cautelosa, ainda que reconheça os impactos da crise sobre a imagem do Supremo. Em declarações recentes, o presidente afirmou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a preservar sua trajetória diante das controvérsias envolvendo o caso.Para especialistas, a centralidade do STF no debate eleitoral reflete uma mudança estrutural no papel da Corte. Segundo o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, “Em escala inédita, o STF deixou de ser árbitro institucional e passou a ocupar o centro do debate eleitoral, porque nos últimos anos, decisões centrais da vida nacional foram parar no Judiciário. A Corte deixou de ser percebida como guardiã da Constituição e passou a ser vista como ator político central”.

Outros pré-candidatos também apresentaram propostas mais estruturais. Ronaldo Caiado defende mandato de 10 anos para ministros, idade mínima de 60 anos e a criação de lista tríplice para orientar as indicações presidenciais. Já o escritor Augusto Cury propõe mandato de oito anos, participação de entidades da magistratura na escolha dos ministros e o fim da transmissão ao vivo das sessões, com o objetivo de evitar a “espetacularização” do Judiciário.

 Renan Santos também entrou no debate ao criticar decisões monocráticas e possíveis conflitos de interesse envolvendo escritórios de advocacia ligados a ministros.

Levantamento recente da Genial/Quaest mostra que o ambiente de desconfiança cresce entre a população: 53% dos brasileiros afirmam não confiar no STF, enquanto 41% dizem confiar na instituição. É a primeira vez, desde o início da série histórica em 2022, que a maioria declara falta de confiança na Corte.

Diante desse cenário, a reforma do Judiciário tende a se consolidar como um dos temas centrais da corrida presidencial de 2026, refletindo não apenas disputas eleitorais, mas também uma reconfiguração mais ampla na relação entre política e Justiça no país.

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