Presidente da CPMI do INSS compra avião por R$ 1,5 milhão
Aquisição via empresa agropecuária supera em 4,5 vezes valor pago três anos antes
247 - A compra de um avião por R$ 1,5 milhão pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, chamou atenção após a divulgação de documentos que detalham a operação realizada por meio de uma empresa agropecuária. Segundo a coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, o valor pago supera em 4,5 vezes o montante da negociação anterior, registrada três anos antes. A transação foi feita em abril de 2025 e concluída seis meses depois.
Compra da aeronave chama atenção pelo valor
O avião adquirido é um EMB-810D (Seneca III), modelo bimotor fabricado em 1984, registrado para voos privados e transporte de pequeno porte. A compra foi realizada pela Fazenda Salto Grande Ltda., empresa da qual o senador é sócio-administrador.
A propriedade rural está localizada em Verdelândia, no norte de Minas Gerais, e possui capital social declarado de R$ 400 mil. Em sua última declaração de bens, referente a 2024, Viana informou patrimônio total de R$ 3,5 milhões.
Histórico de transações do avião
O histórico da aeronave revela uma série de negociações ao longo das últimas décadas, com valores que variaram consideravelmente. Em setembro de 2022, o avião foi vendido por R$ 330 mil, antes de ser adquirido pelo senador por R$ 1,5 milhão em 2025.
Ao longo dos anos, a aeronave também foi comercializada por valores como R$ 80 mil, em 1996, R$ 156,6 mil, em 1997, e R$ 130 mil, em 2007. Em determinado momento, chegou a ser transferida após um contrato com pagamento simbólico de R$ 1.
Defesa do senador sobre aquisição
Em nota, Carlos Viana afirmou que a compra ocorreu de forma regular e dentro da legalidade. “A aeronave mencionada foi adquirida de forma regular por pessoa jurídica legalmente constituída, da qual o senador é sócio-administrador. A Fazenda Salto Grande Ltda. é uma empresa do setor agropecuário, constituída em 2022, com atividades privadas e regulares”, declarou.
O parlamentar ressaltou ainda que a análise do caso não deve considerar apenas sua remuneração como senador. “É importante esclarecer que a comparação com a remuneração parlamentar desconsidera rendimentos oriundos de atividades empresariais privadas”, afirmou.
Sobre o uso do avião, Viana explicou que o equipamento atende às demandas da empresa. “A utilização da aeronave está vinculada à atividade privada e à logística operacional da empresa”, disse.
Ele também contestou estimativas divulgadas sobre custos de manutenção. “Quanto aos valores mencionados sobre custos de manutenção, tratam-se de estimativas genéricas que não refletem a realidade operacional da aeronave. Seguimos à disposição para esclarecimentos adicionais.”


