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Presidente da EPTI deixa cargo após divulgação de e-mails racistas

Mensagens antigas atribuídas a Yuri Coriolano geram reação imediata e levam à exoneração do dirigente estadual

Yuri Coriolano (Foto: Divulgação)

247 - O presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal de Pernambuco (EPTI), Yuri Coriolano, deixou o cargo na sexta-feira (30) após a divulgação de e-mails com conteúdo racista e misógino, escritos em 2012. As mensagens vieram a público e provocaram forte repercussão política, com cobranças por sua exoneração ainda nas primeiras horas após a revelação.

Em uma delas, ele escreveu que “preto é a praga da humanidade”. Em outro momento, ao discutir aborto seguro, afirmou: “Mas que porra. Que porra de direito de mulher decidir. Direito de decidir ela tem de copular com ou sem camisinha. Não de matar um outro indivíduo. Já tou ficando puto com esse assunto, vou me abster de tecer maiores comentários”.

As mensagens geraram reações imediatas de atores políticos e de setores da sociedade, que passaram a exigir o afastamento do então presidente da EPTI. Pouco depois, Yuri Coriolano se manifestou em seu perfil no Instagram, que é fechado, reconhecendo a autoria das frases e pedindo desculpas públicas.

“Errei e venho me retratar publicamente. As frases remontam há 14 anos, quando eu tinha 19 anos de idade, em um grupo da faculdade. Essas frases não representam o que penso e defendo e nem quem eu sou: filho de pai preto, casado com uma mulher preta e advogado militante”, declarou.

Na sequência, Coriolano afirmou que amadureceu ao longo dos anos e destacou que esse tipo de posicionamento não deve ser naturalizado. Ao mesmo tempo, criticou o uso político do episódio. “A revelação deste episódio do passado reforça a importância de não mais repetir erros que não devem jamais ser naturalizados. Amadureci, como também a sociedade evoluiu, em pautas tão sensíveis e indispensáveis. O vale-tudo da velha política se manifesta nas mais diversas formas, inclusive por meio de tentativa de assassinato de reputação”, disse.

Advogado eleitoral, Yuri Coriolano atuava na gestão da governadora Raquel Lyra desde o início do governo. Até poucos dias antes do episódio, exercia a função de secretário executivo da Casa Civil, responsável por articulações políticas. Ele assumiu a presidência da EPTI após a saída do dirigente anterior, em meio a denúncias envolvendo a empresa de ônibus do pai da governadora.

Na sexta-feira (30), Raquel Lyra cumpriu agendas administrativas ao longo do dia e não se pronunciou publicamente sobre o caso. A exoneração de Coriolano foi confirmada ao Blog Cenário por uma fonte do Palácio do Campo das Princesas e deve ser publicada no Diário Oficial do sábado (31). O governo estadual ainda não informou quem assumirá a presidência da EPTI.

Após a publicação da reportagem, Yuri Coriolano divulgou uma nota oficial comunicando seu desligamento do cargo. “Apresentei, nesta sexta-feira, 30, meu pedido de exoneração do cargo de presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI). As frases divulgadas hoje na imprensa não deveriam ter sido ditas e não refletem meus valores, minha trajetória pessoal nem profissional. Reconheço o erro e peço desculpas por qualquer interpretação ou impacto causado”, afirmou.

Na nota, ele acrescentou: “Minha vida e minha atuação sempre foram pautadas pelo respeito às pessoas e pela rejeição a qualquer forma de preconceito — valores que fazem parte da minha formação pessoal, familiar e profissional. Entendo que, neste momento, a decisão de deixar o cargo é a medida mais responsável para preservar a instituição, o governo e o regular funcionamento da administração pública, evitando que questões de natureza individual produzam ruídos indevidos. Reitero meu respeito ao Governo de Pernambuco, à governadora Raquel Lyra, aos servidores públicos e à sociedade pernambucana”.

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