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Impasse em estados-chave deve levar PSD a liberar palanques na disputa presidencial

Estratégia de Kassab busca preservar alianças regionais no Rio, Minas e Nordeste diante de divisões locais e múltiplos pré-candidatos ao Planalto

Glberto Kassab, presidente do PSD (Foto: Divulgação/PSD)

247 - Com três nomes colocados na pré-disputa presidencial, o PSD avalia flexibilizar o apoio formal à própria candidatura ao Palácio do Planalto em alguns dos maiores colégios eleitorais do país. A orientação em discussão na cúpula da sigla é liberar diretórios estaduais em regiões estratégicas — como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco — para manter acordos locais, mesmo que isso implique palanques distintos do presidenciável do partido, relata o jornal O Globo.

A avaliação interna é de que os entraves regionais não dependem de quem venha a ser escolhido entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o governador do Paraná, Ratinho Jr., e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Em entrevista concedida ao O Globo, Caiado reconheceu que, na Bahia, o candidato presidencial do PSD deverá estar em campo oposto ao diretório estadual, que hoje integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Segundo Caiado, o tema já foi tratado diretamente com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. A tendência, de acordo com o governador goiano, é permitir que o PSD baiano preserve a aliança local com o PT, enquanto o presidenciável da legenda deve compor o palanque de ACM Neto (União), principal adversário do grupo petista no estado.

“A Bahia é um estado que nós precisamos dar atenção especial, pelo impacto em termos de voto. O PSD tem uma posição de, no estado, caminhar ao lado do atual governador e no palanque do atual presidente. Na Bahia, aquele que for candidato a presidente pelo PSD estará no palanque do ACM Neto (União). Essa liberdade foi discutida, não engessa a participação do candidato a presidente do PSD”, afirmou Caiado.

A situação baiana não é isolada. Em outros estados considerados decisivos, o PSD participa de governos aliados ao Planalto ou está envolvido em arranjos locais que dificultam a defesa de uma candidatura presidencial de oposição. Em alguns casos, a resistência parte de lideranças da própria legenda.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), mantém alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tende a atuar pela reeleição do petista, o que reduz o espaço para o partido sustentar um nome próprio na disputa nacional. No Nordeste, o cenário se repete em diferentes configurações. No Piauí, a sigla deve novamente integrar a chapa do governador Rafael Fonteles (PT). Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição, disputa o apoio do PT com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), apontado como provável candidato.

Dirigentes do partido admitem que, nessas regiões, a prioridade será manter alianças estaduais consolidadas, ainda que isso fragilize a presença da chapa presidencial do PSD. Minas Gerais aparece como outro ponto sensível. No estado, o governador Romeu Zema (Novo) resiste a dividir protagonismo no campo da direita. O PSD filiou o vice-governador Mateus Simões, que deve concorrer à sucessão estadual e tende a apoiar uma eventual candidatura de Zema ao Planalto.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o partido segue dividido. De um lado, há a aliança com o governador Tarcísio de Freitas; de outro, o esforço de Kassab para preservar a autonomia da sigla em 2026. O dirigente evita confrontos diretos com Tarcísio, que declarou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

No Sul do país, dirigentes também identificam dificuldades para unificar palanques. No Rio Grande do Sul, apesar de Eduardo Leite figurar como um dos pré-candidatos do partido, o PSD enfrenta divisões internas e compromissos locais que não se alinham automaticamente a um projeto nacional. Em Santa Catarina, o campo conservador é majoritariamente ocupado por aliados de Jair Bolsonaro, enquanto o partido deve lançar o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ao governo estadual, em um contexto de disputa pelo apoio do bolsonarismo.

Dentro do PSD, a leitura predominante é que o principal desafio não está na definição do nome que representará a legenda na corrida presidencial, mas na capacidade de sustentar essa candidatura sem comprometer acordos regionais considerados essenciais para o desempenho do partido nas eleições de 2026.

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