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Presidente do PT admite MDB fora da chapa e prioriza alianças regionais para 2026

Edinho Silva reconhece dificuldades em ampliar base nacional e defende articulação nos estados diante de resistências de partidos de centro

Edinho Silva (Foto: Evandro Macedo / LIDE)

247 - O presidente nacional do PT, Edinho Silva, sinalizou que partidos como o MDB e o PSD devem ficar fora de uma aliança nacional para a reeleição de Lula em 2026. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.

Embora integre uma ala do PT que historicamente defende a ampliação do arco de alianças, Edinho reconheceu as dificuldades de atrair novos apoios no plano nacional e sinalizou uma mudança de estratégia, priorizando acordos regionais. “Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não creio em aliança nacional com esses partidos, temos que respeitar as contradições”, afirmou.

O dirigente destacou ainda que, apesar da ausência de uma composição nacional, há lideranças nessas siglas que compreendem a importância da disputa eleitoral. “São muitas lideranças desses partidos que sabem o que está em jogo nessas eleições, que a escolha será de futuro, qual o legado que deixaremos para as futuras gerações”, disse.

Nos bastidores, aliados de Lula chegaram a trabalhar para atrair o MDB à coligação, inclusive com a possibilidade de indicar o candidato a vice-presidente. O próprio presidente se reuniu com dirigentes da legenda nas últimas semanas. No entanto, o movimento gerou reação interna: no início de março, a maioria dos diretórios estaduais do partido assinou um manifesto defendendo neutralidade na eleição presidencial, o que é positivo ara a campanha de Lula.

Outro episódio que evidenciou o distanciamento entre PT e MDB foi a filiação do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, em uma articulação associada ao governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

Diante da dificuldade de ampliar a base ao centro, o PT tem buscado consolidar alianças com parceiros históricos, como o PDT. Ainda assim, há impasses importantes nos estados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o PDT defende a candidatura de Juliana Brizola ao governo estadual, enquanto o PT insiste no nome de Edegar Pretto.

A disputa local reflete um cenário mais amplo de negociações nacionais. O presidente do PDT, Carlos Lupi, solicitou ao PT apoio em outros estados estratégicos, como Paraná, com Requião Filho, e Minas Gerais, com Alexandre Kalil. Neste último caso, porém, o PT tende a apoiar o senador Rodrigo Pacheco, do PSD.

Em contrapartida, o PDT se comprometeu a apoiar candidaturas petistas em estados como São Paulo, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, em uma tentativa de fortalecer o palanque nacional de Lula.

Ao comentar o impasse no Rio Grande do Sul, Edinho fez um apelo à unidade interna e à priorização do projeto nacional. “O PT gaúcho tem tradição de projeto coletivo, sempre foi exemplo para o Brasil. Ainda acredito que vão dimensionar o momento histórico que vivemos e que a tática eleitoral do presidente Lula tem que prevalecer. As decisões do estado não podem colocar em risco a reeleição do projeto nacional. Não dá para errarmos nessa dimensão, a história irá cobrar. E o preço pode ser politicamente caríssimo”, destacou.

O dirigente reforçou que, na avaliação da cúpula petista, a reeleição de Lula é central para o cenário político brasileiro e regional. “Temos uma avaliação política que não há como derrotar o fascismo no Brasil sem a construção de um campo democrático forte. Nesse sentido, a tática para essa vitória é a reeleição do presidente Lula. Não podemos ter essa leitura e decidir em contradição a isso. Não faz sentido”, completou.

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