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Pressão da Interpol, emboscada e hackers: as provas contra Vorcaro que o mantêm preso

Documentos citam hackers, policiais e produtores de conteúdo em estrutura apontada como risco à apuração

Pressão da Interpol, emboscada e hackers: as provas contra Vorcaro que o mantêm preso (Foto: Reprodução )
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247 - A Polícia Federal afirma ter reunido novos elementos que indicariam a atuação de uma rede paralela ligada ao caso Master, com participação de hackers, policiais e produtores de conteúdo, em uma estrutura apontada como risco à apuração envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, mensagens extraídas do celular de Vorcaro e tornadas públicas nesta terça-feira reforçam a principal linha de argumentação usada pela PF (Polícia Federal) e pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para sustentar a manutenção da prisão preventiva do empresário. Para os investigadores, os diálogos indicam a existência de um grupo voltado à obtenção de informações sigilosas, intimidação de adversários e interferência em investigações.

Os documentos mencionam a atuação de grupos coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Ele é apontado pela PF como operador de uma rede que reuniria policiais federais, hackers e produtores de conteúdo. Segundo a investigação, essa estrutura teria atuado em favor dos interesses de Vorcaro e de empresas ligadas ao Banco Master.

A divulgação do material ocorre em um momento de indefinição sobre o futuro prisional de Vorcaro. A segunda proposta de delação apresentada pelo empresário foi rejeitada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República. Atualmente, ele está preso na superintendência da PF em Brasília, enquanto a corporação pede sua transferência para uma penitenciária federal. A decisão caberá ao ministro André Mendonça.

O cenário jurídico do empresário também foi impactado por uma decisão recente da Segunda Turma do STF. Nesta terça-feira, o colegiado manteve as prisões de seu pai, Henrique, e de seu primo, Felipe, ao entender que havia riscos concretos de obstrução da Justiça caso fossem soltos ou colocados em prisão domiciliar.

No julgamento, Mendonça defendeu que a investigação da Polícia Federal ainda tem um longo caminho a percorrer. O entendimento reforça a situação de Vorcaro, especialmente após a rejeição de sua proposta de colaboração, que poderia alterar o quadro processual do empresário.

PF aponta estrutura organizada em torno do caso Master

A Polícia Federal afirma que os episódios reunidos nos autos demonstram continuidade das atividades do grupo e risco de interferência na apuração. Em uma das frentes investigadas, integrantes da chamada “Turma” teriam realizado levantamentos sobre inquéritos policiais e processos judiciais, inclusive sob sigilo.

Os investigadores também apontam consultas a sistemas restritos e monitoramento de pessoas consideradas de interesse de Vorcaro. Para a PF, essas práticas indicariam uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e atuação permanente.

Outro núcleo citado nos documentos é identificado como “Os Meninos”. Segundo a investigação, o grupo seria formado por hackers responsáveis por invadir contas e perfis na internet, obter senhas, remover conteúdos considerados prejudiciais a Vorcaro e impulsionar publicações favoráveis ao grupo empresarial.

A PF afirma ainda que os grupos recebiam pagamentos mensais intermediados por Mourão. Para os investigadores, a existência de repasses, funções definidas e atuação coordenada reforçaria a tese de que a organização não se limitava aos crimes financeiros investigados no caso Master.

Risco de obstrução sustenta prisão preventiva

Os elementos reunidos agora se somam a outros episódios já citados pela Polícia Federal ao longo da apuração. Entre eles estão relatos de supostas ações para pressionar autoridades, monitorar alvos de interesse, produzir dossiês e obter informações protegidas por sigilo.

Em decisões anteriores, o ministro André Mendonça apontou que a liberdade de Vorcaro poderia representar risco concreto à instrução processual. A preocupação central é a possibilidade de rearticulação da estrutura descrita pela investigação.

Ao defender a manutenção da prisão preventiva, a PF sustenta que o grupo teria capacidade de mobilizar agentes para influenciar testemunhas, intimidar desafetos e acessar informações estratégicas. A avaliação dos investigadores é que parte dessa estrutura continuou ativa mesmo depois do avanço das operações policiais.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades. Os advogados sustentam que o empresário é alvo de uma investigação baseada em interpretações equivocadas de mensagens e de relações profissionais que, segundo a defesa, seriam legítimas.

Apesar da contestação, diálogos interceptados pela PF são apontados pelos investigadores como indícios de ações mais amplas atribuídas ao grupo. Entre os episódios citados está o planejamento de uma emboscada contra o DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, conhecido como Rony Seikaly.

Segundo a apuração, Vorcaro teria cogitado uma emboscada com “droga” contra Seikaly e mencionado pressão da polícia e da milícia. O plano teria começado a ser executado pela chamada “Turma”, conforme os documentos da investigação.

Ofício falso à Interpol é citado pela PF

Os investigadores também apontam que integrantes da “Turma” teriam usado o login de uma servidora do Ministério Público Federal para produzir um ofício falso direcionado à Interpol, com o objetivo de buscar informações sobre Seikaly.

Rony Seikaly atuou na NBA entre 1988 e 1999. Ele teve um relacionamento com Martha Graeff, com quem tem uma filha. À época das mensagens citadas na investigação, Graeff estava em um relacionamento com Vorcaro.

Para a Polícia Federal, a combinação de mensagens, supostas consultas indevidas, atuação de hackers, produção de documentos falsos e monitoramento de alvos reforça o argumento de que a estrutura atribuída ao grupo representaria risco à investigação. Esses elementos estão no centro da discussão sobre a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro no caso Master.

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