Quebra de sigilo no caso Master preocupa membros da PGR
Integrantes da PGR avaliam que divulgação de relatórios da PF sobre o caso Master pode prejudicar apurações ainda em andamento
247 - A suspensão do sigilo de documentos ligados ao caso Master gerou preocupação entre procuradores diretamente envolvidos nas investigações sobre o escândalo do Banco Master. Integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) avaliam que a divulgação de relatórios da PF (Polícia Federal) pode prejudicar apurações que ainda estão em curso.
As informações são da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, procuradores ficaram contrariados com a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do processo, que determinou a publicidade de documentos relacionados ao caso.
A medida foi tomada horas antes de o ministro Gilmar Mendes levar a julgamento o pedido de liberdade de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O STF decidiu manter a prisão.
De acordo com a coluna, integrantes da PGR relataram a interlocutores que a quebra do sigilo poderia ter sido adiada. Na avaliação desses procuradores, a divulgação dos relatórios neste momento pode interferir no andamento das investigações.
Os documentos tornados públicos incluem registros da PF sobre diálogos envolvendo Henrique Vorcaro e integrantes de um grupo que, segundo a investigação, seria pago por ele para intimidar e ameaçar desafetos de seu filho.
Entre as conversas reveladas, aparecem diálogos entre Henrique Vorcaro e Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Segundo a PF, ele morreu após ser preso e teria cometido suicídio na cela.
Nos diálogos, Joana pressiona Henrique Vorcaro a realizar pagamentos. Ela afirma ter perdido o irmão e as condições financeiras de sobrevivência, enquanto o ex-dono do Master e seus familiares viveriam, segundo as palavras atribuídas a ela nas conversas, “como reis”.
Em uma das ameaças relatadas nos documentos, Joana diz que poderia “acabar com a família” de Vorcaro. O conteúdo dos relatórios passou a integrar o material público do caso após a decisão de André Mendonça.
A avaliação de procuradores é que a publicidade dos documentos pode expor elementos sensíveis de uma investigação ainda em andamento. Para esses integrantes da PGR, o momento escolhido para levantar o sigilo pode dificultar diligências relacionadas ao caso Master.



