Recusa de delação pode levar Vorcaro para a Papuda
Nova proposta de colaboração do dono do Banco Master está sob análise da PF e da PGR; eventual rejeição pode resultar em transferência para presídio comum
247 - A permanência do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília poderá ser revista caso a nova proposta de acordo de delação premiada apresentada por sua defesa não avance junto às autoridades responsáveis pela análise do caso.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, interlocutores do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça avaliam que uma eventual nova rejeição da colaboração premiada inviabilizaria a continuidade de Vorcaro na sala de Estado-Maior atualmente ocupada na sede da Polícia Federal. Nesse cenário, o empresário seria transferido para um presídio comum do Distrito Federal.
A principal hipótese considerada é a transferência para o Complexo Penitenciário da Papuda, unidade onde Vorcaro já esteve detido anteriormente. O presídio é conhecido pelo rígido esquema de segurança e pelas regras mais restritivas de comunicação e visitas.
Possível mudança de local de custódia
Na Papuda, o contato dos detentos com familiares e advogados ocorre sob regras rigorosas, com limitações de acesso e monitoramento das comunicações. As autoridades também mantêm controle sobre registros de conversas e deslocamentos dentro da unidade.
A possibilidade de transferência para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, é considerada remota. Segundo a reportagem, o local oferece um regime menos rígido em comparação com a Papuda.
Um dos fatores que pesam contra essa alternativa é a presença no batalhão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), que também se encontra preso no local.
Primeira proposta foi rejeitada
A Polícia Federal já havia solicitado anteriormente a transferência de Vorcaro para a Papuda após a rejeição da primeira proposta de delação apresentada pela defesa do empresário.
Segundo a reportagem, os anexos entregues naquela ocasião foram considerados insuficientes pelos investigadores. A avaliação foi de que o material continha informações frágeis e não contribuía de forma relevante para o avanço das apurações em curso.
Além disso, a manutenção de Vorcaro na Superintendência da Polícia Federal tem gerado desconforto interno. Há relatos de que a prisão do empresário tem provocado transtornos operacionais e administrativos na unidade policial.
Nova proposta está sob análise
Nesta semana, os advogados de Daniel Vorcaro protocolaram uma nova proposta de acordo de colaboração premiada. O conteúdo encaminhado está sendo analisado simultaneamente pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A expectativa em torno da avaliação é elevada, uma vez que a decisão poderá influenciar diretamente as condições de custódia do empresário e os próximos passos das investigações relacionadas ao caso.
Enquanto aguardam a manifestação dos órgãos responsáveis, os defensores de Vorcaro solicitaram ao ministro André Mendonça a adoção de um regime excepcional de visitas até o próximo dia 12 de junho, com o objetivo de viabilizar as negociações ligadas à tentativa de celebração do acordo de delação premiada.



