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Rede Tayayá acelera obras de novo resort de luxo no Paraná

Documentos enviados à Justiça indicam venda integral de cotas e arrecadação de R$ 220,2 milhões

Ilustração do Tayayá Resort (Foto: Tayayá Resort/Divulgação)

247 – A rede de resorts Tayayá, citada no centro da polêmica que envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o Banco Master, segue em ritmo de expansão e mantém obras avançadas de um novo empreendimento de alto padrão no Paraná. A construção da segunda unidade, batizada de Tayayá Porto Rico Residence & Resort, ocorre “a todo vapor”, com material de divulgação e registros de obra apresentando o andamento do canteiro.

As informações foram publicadas pela coluna Dinheiro e Negócios, do site Metrópoles, com base em documentação apresentada à Justiça do Paraná. Segundo os documentos mencionados, todas as cotas de casas e apartamentos do complexo teriam sido vendidas, com arrecadação total de R$ 220,2 milhões, um indicador relevante do apetite do mercado por produtos imobiliários voltados ao turismo e ao lazer de alto padrão.

Venda integral de cotas e cifras elevadas

O caso chama atenção porque a Tayayá aparece associada a um debate público que envolve Toffoli e o Banco Master, mas, do ponto de vista empresarial, o projeto segue sem sinais de retração. De acordo com a documentação citada, a comercialização das cotas foi concluída, o que sugere que o empreendimento alcançou tração financeira antes mesmo da entrega das estruturas prometidas aos compradores.

A marca aposta no formato que combina resort e condomínio, um modelo que costuma unir unidades residenciais, serviços de hotelaria e infraestrutura de lazer desenhada para estadas curtas e para o uso recorrente de proprietários. Nesse tipo de projeto, a velocidade de vendas costuma ser tratada como termômetro de confiança do público-alvo, sobretudo quando os valores dependem da expectativa de valorização, ocupação e apelo turístico da região.

Onde fica o Tayayá Porto Rico e por que a região é chamada de “Miami do Paraná”

O Tayayá Porto Rico Residence & Resort está sendo erguido no município de São Pedro do Paraná (PR), próximo à cidade de Porto Rico. A área é divulgada como destino de veraneio e aparece descrita como “Miami do Paraná” e “Dubai do Sul”, em referência ao perfil turístico, às águas e à paisagem local, na divisa com Mato Grosso do Sul.

O material divulgado sobre o empreendimento sustenta a narrativa de um cenário natural valorizado por praias fluviais, clima de descanso e apelo familiar. Na propaganda, a promessa central é transformar o entorno em uma experiência de resort com estrutura de grande porte, explorando o imaginário de “paraíso” associado a areia clara e águas límpidas.

“Imagine um cenário paradisíaco, com praias de areia branca e águas cristalinas”, diz o site do empreendimento, numa das frases publicitárias reproduzidas na reportagem. A linguagem busca ancorar o projeto em atributos de paisagem, reforçando a ideia de destino turístico permanente e não apenas de um condomínio com lazer básico.

Promessa de luxo maior do que a primeira unidade e histórico de sócios ligados à família do ministro

O novo espaço é divulgado como ainda mais luxuoso do que o primeiro resort da rede Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Segundo o que foi relatado, essa unidade anterior teve, em determinado momento, os irmãos do ministro Dias Toffoli como sócios, vínculo que acabou impulsionando a atenção pública em torno da empresa.

A expansão para a região de Porto Rico, com cifras elevadas e projeto de grande escala, reposiciona a Tayayá como uma operação que pretende consolidar uma presença mais ampla no turismo de luxo do estado. O debate público, nesse contexto, passa a conviver com uma realidade empresarial marcada por captação robusta e avanço físico da obra, um contraste que tende a alimentar questionamentos e também a manter o tema na agenda.

O que o resort promete entregar: piscinas, spa, boliche e “restaurante internacional”

A promessa de infraestrutura é um dos pilares do empreendimento. O material publicitário descreve um conjunto extenso de equipamentos e áreas de lazer, projetados para sustentar a narrativa de um resort “completo”, voltado a diferentes faixas etárias e formatos de viagem.

“O Tayayá Porto Rico foi projetado para atender às necessidades de lazer e descanso de toda a família. A infraestrutura inclui piscinas com borda infinita, aquaplay, toboáguas, pistas de boliche, spa, saunas, fitness center, sunset lounge club, bares, boutique e um restaurante internacional”, afirma o texto divulgado pelo empreendimento e reproduzido na reportagem. A lista combina itens clássicos de resort, como spa e saunas, com atrações voltadas ao entretenimento, como boliche, toboáguas e espaços de convivência noturna.

Ainda segundo o material publicitário, o projeto prevê escala imobiliária elevada, com 220 apartamentos e 338 lotes de casas. Esse tamanho sugere um complexo capaz de operar simultaneamente como destino turístico e como estrutura residencial de uso recorrente, com impacto potencial na ocupação, na circulação econômica local e na dinâmica imobiliária da região.

Obra avança enquanto polêmica mantém atenção sobre a rede

A reportagem destaca imagens do andamento das obras e reforça que a segunda unidade segue em construção, mesmo com a Tayayá citada no centro de uma polêmica que envolve o ministro Dias Toffoli e o Banco Master. Esse componente político-institucional adiciona uma camada de escrutínio sobre a marca, ainda que o texto trate principalmente do desempenho comercial e do avanço do projeto.

O caso também evidencia como empreendimentos imobiliários e de turismo podem manter tração financeira, inclusive com vendas integralmente realizadas, mesmo quando associados a controvérsias em instâncias de alto interesse público. No mercado, projetos desse porte costumam se sustentar em marketing territorial, promessa de infraestrutura e percepção de exclusividade, fatores que, quando combinados, podem acelerar a demanda.

Ao mesmo tempo, o tamanho do complexo, a arrecadação mencionada e a estratégia de expansão ajudam a explicar por que a rede continua no radar. Em um contexto de debate público sobre relações entre negócios e figuras do sistema de Justiça, a evolução do empreendimento tende a ser observada com atenção, tanto pelo que sinaliza em termos econômicos quanto pelo que suscita em termos de transparência e repercussão institucional.

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