Renan Calheiros nega traição a Lula após votação do STF e afirma apoio a Messias
Senador do MDB rebate especulações sobre voto contrário e critica interpretações após derrota no Senado
247 - O senador Renan Calheiros negou ter traído o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Segundo informações do jornal O Globo, a declaração foi feita após especulações de que parlamentares do MDB e do PP teriam votado contra o nome indicado pelo Planalto.
Em manifestação pública, Renan Calheiros afirmou que apoiou o indicado e criticou rumores sobre sua posição. “São improcedentes as ilações sobre o MDB e mentirosas as especulações sobre o meu voto, dos senadores Renan Filho e Eduardo Braga. Trabalhamos e votamos em Jorge Messias. Derrotas devem ensinar e não gerar efeitos lisérgicos vindos do cavalo de Tróia dentro do governo”, declarou.
A indicação de Jorge Messias foi rejeitada pelo Senado na noite de quarta-feira, com 34 votos favoráveis e 42 contrários. Para ser aprovado, ele precisava de ao menos 41 votos entre os 81 senadores, não alcançando a maioria absoluta exigida.
Nos bastidores, parlamentares ouvidos pela reportagem destacaram a proximidade de integrantes do MDB com Bruno Dantas, que também era apontado como possível candidato à vaga no STF. Esse fator teria influenciado parte do posicionamento dentro da Casa.
Auxiliares do governo atribuem a derrota a uma articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. De acordo com relatos, ele teria atuado junto a parlamentares de centro, da oposição e indecisos para consolidar votos contrários ao nome de Messias. A assessoria de Alcolumbre, no entanto, negou qualquer atuação nesse sentido.
A relação entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado se deteriorou após a escolha de Jorge Messias para a vaga no Supremo, em vez de Rodrigo Pacheco, aliado próximo de Alcolumbre. O movimento marcou um distanciamento político e o início de críticas públicas ao governo.
Antes da votação em plenário, Messias já enfrentava dificuldades. Na Comissão de Constituição e Justiça, ele obteve 16 votos favoráveis em uma sabatina marcada por apreensão entre governistas, diante da incerteza sobre sua aprovação final.


