Reportagem do Conjur aponta falta de base jurídica para a prisão do dono da Refit
Ricardo Magro vive nos EUA e não é alvo de mandado ou extradição
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, durante entrevista coletiva em Nova Déli, na Índia, neste final de semana, a prisão do empresário Ricardo Magro, proprietário do grupo Refit. Lula disse que encaminhou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informações sobre o caso, incluindo dados pessoais e o endereço do empresário nos EUA.
A revista eletrônica Conjur, contudo, apontou que, apesar das menções feitas por Lula, não existe base jurídica para eventual prisão do empresário. Segundo a publicação, Magro não foi condenado, não responde a processo criminal em curso e não integra a lista vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).
Declarações a Donald Trump
Sem citar nominalmente Ricardo Magro ou a Refit, Lula fez referência a uma operação da Receita Federal que apreendeu milhões de litros de combustível destinados à refinaria administrada pelo grupo no ano passado. “Nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos”, disse lula ao comentar o caso.
Em dezembro do último ano, após conversa telefônica com o presidente dos EUA, Lula relatou ter tratado do assunto. “Disse para ele [Trump], inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustíveis fósseis, mora em Miami. Então se ele quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí”, afirmou Lula na ocasião.
Operação da Receita
O grupo Refit, responsável pela administração da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi alvo de operação coordenada pela Receita Federal em novembro de 2025. A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, com o cumprimento de 190 mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresa e a executivos.
De acordo com a ConJur, não houve pedido de prisão no âmbito da operação e Ricardo Magro não figurou entre os alvos das medidas judiciais. Por isso, ele não é considerado foragido.
Histórico judicial do empresário
A única acusação criminal conhecida contra o empresário não tem relação com crimes tributários e já foi rejeitada pela Justiça Federal. Em 2016, Magro chegou a ser preso por curto período sob suspeita de envolvimento no desvio de cerca de R$ 100 milhões dos fundos de pensão Petros e Postalis, vinculados a funcionários da Petrobras e dos Correios.
À época, ele foi acusado de emitir títulos e valores mobiliários sem lastro ou garantia, mas acabou absolvido pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
A reportagem questionou o Palácio do Planalto, por meio da assessoria de imprensa, sobre eventual pedido formal de prisão ou extradição de Ricardo Magro e sobre qual decisão judicial poderia fundamentar a medida. Até o momento, não houve resposta oficial.


